[Recomendo ouvir expectations -Lauren Jauregui enquanto lêem. ]
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Sexy. Selvagem. Brutal. Kally era muito mais que isso, ela era Cruel.
A saudade deixava-a exaurida. O coração galopando afoito no peito, e a sensação de inquietude se apossando do corpo. Rachel sentia uma dor excruciante, era deplorável ver a sua imagem no espelho. Era vergonhoso se sentir assim com tanta frequência. Tirar Kally dela, era como tirar todo o seu oxigênio ou roubar bala de uma criança. Um crime cruel, homicídio qualificado.
Kally sabia disso. Sabia que era seu ponto fraco, e jogava sujo. Jogava baixo.
Sheherazade havia chegado mais cedo naquele dia. Como de praxe, buscara Gabriel na escola, mas logo em seguida Jaqueline chegou com Lucas, levando o menino de seus braços para curtirem uma noite de cinema junto com Clara. Por um lado ela sentia saudades do filho. Por outro, a exaustão mental era tanta que tudo o que queria era esquecer do mundo lá fora.
E assim ela fez. Caminhando pela suíte principal da mansão, se desfez de suas roupas, no trajeto até o banheiro. Peça por peça caindo por onde passava, formando uma trilha até seu refúgio, a banheira de água quente. O corpo pesado e os passos lentos. Primeiro os cabelos foram presos num coque frouxo e relaxado. Depois, os sapatos abandonados na porta do quarto. As meias ficaram aos pés da cama, o blazer sobre o colchão, a blusa desabotoada na mesa de cabeceira. A calça ela não viu por onde jogou, pulseiras jaziam na pia de mármore do banheiro. O sutiã de renda pendia no gancho na parede, onde deveria estar a toalha felpuda cor-de-rosa, e a calcinha de igual material sobre a tampa do vaso sanitário.
Era grotesca a forma como tudo se desenrolava, mas Rachel não se importava o suficiente. Não hoje. Seu corpo sedento implorava por isso. A pele pálida ansiando o contato com a água quente. Sua boca salivava chupando uma laranja que trazia na palma das mãos. Ela não se atentava ao que ocorria ao seu redor, tampouco queria. Queria paz, queria desestressar.
O celular perigosamente encaixado na parte alta da banheira onde se dispunha de sais de banho, onde a água não tocava. Expectations soava, ao som gostoso da voz rouca e melodiosa de Lauren Jauregui. Se identificar com aquela música era o auge do sofrimento para ela, mas ainda assim as cenas do clipe bem guardadas na memória disponibilizavam dentro de si um tesão sem cabimento ao pensar em sua esposa.
O calor entre suas pernas se fazia incômodo e um ardor sem pudor tomava conta de si, quando enfim mergulhou a ponta dos pés na água quase fervida. Um grunhido satisfatório ecoou pelo cômodo, saindo de seus lábios macios. Céus, um pouco mais e ela entraria em ebulição.
Não fazia ideia de onde Kallyane estava ou com quem estava, tampouco se voltaria para casa. Quando saiu mais cedo, irritada consigo, a esposa se dirigiu para o estúdio, mas já fazia um tempo desde que a filha de Catarina ligou e ela não estava lá.
"Talvez Kally estivesse com Jaque," ela pensou. Mas logo descartou essa opção. Apostaria na companhia de Nadja, se a amiga não tivesse ligado perguntando por ela. Talvez estivesse com André se o homem não tivesse postado um status dizendo que estava indo ver a namorada.
Não restavam mais opções e embora não quisesse admitir, pensar em Kally estava sendo motivo de muita aflição. Ela confiava em sua esposa, mas devido às circunstâncias que sua relação vinha enfrentando, sentia ciúmes e medo de ser traída. "Você sempre foi uma mulher segura de si, Rachel!" dizia para si mesma, em sua voz interiorana. "Não vai surtar a essa altura do campeonato, confie no seu taco."
Mordeu o lábio inferior. O peito enrijeceu de repente, quando buscou pensar em coisas positivas. Uma pontada em sua boceta fez o corpo inteiro trepidar. "não coisas tão boas assim, sua estúpida". Mas já era tarde demais. Mesmo morta de raiva pela demora de Kally, seu cérebro, seu coração e o corpo inteiro lhe traía e atraía de volta para aquela mulher. Ela bufou quando timidamente seus dedos traçaram um caminho sem volta pela própria pele.
Céus, ela iria mesmo se masturbar para sua esposa, ainda que ela não estivesse vendo ou ouvindo coisa alguma.
Com um suspiro profundo, ela levou a laranja até os lábios, sentindo o suco cítrico escorrer pela garganta de forma ardida. Cada chupada era uma tentativa de acalmar os nervos à flor da pele, mas a tensão persistia, intensificada pelo pensamento incessante em sua mulher.
Os olhos castanhos de Rachel vagavam pelo banheiro, sua mente dividida entre o presente e o passado. Permitiu-se mergulhar na memória, revivendo momentos de paixão e dor, compartilhados com Kally. O desejo pulsava dentro de si, quase como uma chama insistente que se recusava a se apagar.
Com movimentos lentos e deliberados, perfeitos em maestria pura, afundou mais na água, sentindo o calor se intensificar entre suas pernas. Uma nova onda de prazer percorreu seu íntimo quando seus dedos outra vez traçaram padrões invisíveis sobre sua pele vulnerável, seus pensamentos voltando para Kally de maneira irresistível e nada pura.
Ela fechou os olhos com força, perdendo-se na fantasia de Kally tocando-a, beijando-a, dominando-lhe com uma paixão avassaladora, pragmática. Cada toque era uma promessa de redenção, uma oferta de alívio para a dor que lhe consumia mental e agora fisicamente.
Rachel se entregava ao prazer solitário, deixando que a memória dela de repente lhe guiasse através das ondas crescentes de êxtase, tesão e vontade. Seu corpo arqueou involuntariamente, um gemido rouco escapando de seus lábios enquanto ela alcançava o clímax, sua voz ecoando no vazio do banheiro em um grito exasperado, forte, majoritariamente esmagador.
Se encontrava ofegante. O coração ainda galopando descontrolado no peito. Ela afundou na água, deixando que as últimas ondas de prazer a envolvessem, sabendo que, mesmo na ausência física de Kally, seu amor ainda a consumia, selvagem e incontrolável.
- Puta que pariu, Kally...- Bradou. A voz embargada.
Um, depois, três dedos adentrando sua vagina com precisão ainda não era o necessário para satisfazer seus desejos mais sórdidos. O lábio inferior era mordido com gosto, gotículas de suor rolavam por seu peitoral, se misturando logo em seguida com a água que cobria os membros inferiores de seu corpo. O líquido viscoso entre suas pernas facilitava as estocadas, mas em contradição a água servia como um anti lubrificante natural. Por algum tempo só se ouvia seus gemidos por toda a casa.
Uma das mãos apertando com gosto os seios. Estava fora de si, não queria, mas infelizmente ela mantinha a expectativa de uma transa reconciliadora com sua mulher.
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Se algo estiver bugado em relação aos nomes ou características físicas das personagens, é porque adaptei de outra história minha, "Expectations - Valu"
espero que tenham gostado dessa oneshot
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Expectations - Kachel
FanfictionPorque Rachel ainda esperava ansiosamente que sua esposa voltasse. Não só voltasse para casa, que voltasse a ser ela mesma. Ela tinha grandes expectativas quanto ao sexo com sua mulher. Sexy. Selvagem. Brutal. Kally era muito mais que isso, ela era...
