o amor é devagar. o amor, posto que é projeto, é quieto
o amar, não. o amar é depressa. barulhento
o amar começa a obra às 07h00 da manhã de uma segunda-feira. você abre os olhos e o encontra de pé, com um espelho em riste ao lado da cama. é cedo para você se ver e ele não se importa. o amar não tem dó
o amar é sofrido. o amar atropela o peito quando demora uma hora a mais entre uma mensagem e outra do que no dia anterior. o amar reclama de como você não amassa o alho antes de o descascar
o amor vem antes e depois do amar. e durante. e de novo
o amor começa no desenho da planta. o amor rega as flores depois que a casa está pronta. o amor começa na argamassa, continua nas rachaduras quando a casa já é gasta e precisa trocar a fiação
o amor é até onde a casa pode ser casa. uma casa pode ser uma casa depois de demolida. pode ser uma casa em cima de outra. pode ser um outro tipo de casa. depende
o amor é bicho gordo e dorminhoco. o amor é um gato velho. o amor descansa
o amar é impaciente. é filhote ainda que tenha anos, percebe: o amar de novo no canto da sala escalando a cortina com um brinquedinho de plástico na boca. o amar enche o saco
o amar, por natureza, desaba. amar procurando se proteger do desabamento não estrutura o amor. já passa das 19h00. não sobra tempo
o amar é cacofonia. o amor é repertório de silêncios
o amar alimenta o amor e vice-versa, mas varia. há de ser delicado ao brincar com os dois ao mesmo tempo
o amar é novidade, mas o amor é cotidiano
o amar é volúvel, posto que é dia
o amor é teimoso, posto que é ano
se houver gostado de minha escrita, estou sempre ativa no instagram (@aninacamargo), onde escrevo sobre um tudo, mas principalmente sobre amor, pinturas e cotidianismos ❥ em breve lançarei um novo livro e divulgarei tudo por lá. ainda não entendo como o algoritmo daqui funciona e seria uma graça se você pudesse me deixar um comentáriozinho de incentivo :) até a próxima!
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repertório de silêncios
Poetryo amar começa a obra às 07h00 da manhã de uma segunda-feira. você abre os olhos e o encontra de pé, com um espelho em riste ao lado da cama. é cedo para você se ver e ele não se importa. o amar não tem dó [obra de arte da capa: The Rokeby Venus, Die...
