"Viver é dançar conforme o caos."
__ z.magiezi
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Lá estava ela, a minha passagem para a minha curta liberdade. Um espelho de corpo inteiro prateado. Eu coloquei uma mão, depois a outra, depois um pé até finalmente entrar por inteiro, chegando a uma loja de antiguidades.
- Miau.
- Shh... - sinalizei - As pessoas não podem saber que estamos aqui. - sussurrei para o gato amarelo que me seguia desde que me entendo por gente.
Virei um corredor de prateleiras até encontrar um tubo de ventilação e tirei a grade, peguei um caixote consideravelmente mais novo do que os outros e entrei no tubo. Engatinhei por alguns minutos até ver as ruas. Sai do tubo esperando meu gato
descer.
- Um gatinho! - uma garotinha, devia ter no máximo uns 10 ou 11 anos, falou alegremente enquanto se aproximava de nós. — Posso fazer carinho?
- Claro. - respondi enquanto pegava o gato no colo e o colocava nos braços da menina.
A menina parecia feliz, isso era ótimo a julgar pelos seus diversos hematomas roxos pelos braços. Doyle era a parte mais pobre de Hadeon, apesar de fazer parte da capital. Me doía ver a vida miserável dessas pessoas, me faz querer da a elas, no mínimo, um pouco de felicidade.
Quando a menina decidiu ir embora, Káhos - meu gato - me olhou emburrado durante todo o caminho até a praça principal. As luzes néon e de cores extremamente chamativas quase me deixavam cega, era muita informação ao mesmo tempo. Um restaurante, uma boate cheia de pessoas bêbadas e drogadas, um robô abandonado com várias partes de seu corpo faltando, sem falar outras coisas, mais explicitas, que estavam acontecendo ao ar livre. Apesar de triste, não é muito diferente do meu mundo. Claro, as pessoas costumam ser muito maia discretas.
Ao chegar na praça, as pessoas começavam a me cumprimentar e a me reconhecer. Mas não é difícil me diferenciar dentre as outras pessoas, afinal eu era a garota com um vestido medieval carmesi no meio de uma cidade altamente tecnológica - se eu não me engano, eles chamam essa era de A Era Cyberpunk -.
- Ora, ora! Se não é a minha dançarina-fantasma, favorita e o seu gato rabugento! - Exclamou um rapaz albino que usava uma jaqueta bufante vermelha enquanto se aproximava de braços abertos e soltava fumaça pela boca.
Faço uma breve reverência.
- Milorde. - Brinco.
- O pessoal tava' perguntando de você. - falou enquanto me guiava para o centro da praça com o braço no meu ombro. - Você é o motivo da alegria nessa praça, Axar. Onde esteve nessa ultima semana? Não vai me dizer que tá' comprometida e o cara é possessivo, vai?
- Oi? - respondo enquanto pego Káhos no colo, onde ele se aconchega - Jack, vamos lá. Por que eu me prenderia a um homem quando posso aproveitar toda a liberdade que esse mundo tem para me oferecer?
-Essa é a minha garota. - falou orgulhosamente enquanto se aproximava de um grupo de pessoas.
Jack era o líder de uma gangue, os Sev Ts’uler - ou Swart Bulle se quiser uma pronúncia mais simples -, eles têm quase metade da zona Doyle sob seu comando e estão no top 12 entre as gangues mais fortes do distrito Armoede - Armoede, pelo que sei, é um dos poucos distritos com pouco mais de 34 cidades ou aglomerados de pessoas. E, curiosamente, a praça principal de Dolye ou aryan k’arrakusi é um ponto neutro extremamente respeitado pelas gangues.
- Axar! Garota! Você some por uma semana e volta com um cabelo maravilhoso desses?? - Louve, uma garota de longos cabelos dourados, sardas, olhos cinza e um sorriso encantador disse animadamente enquanto examinava meu cabelo cuidadosamente - Nossa, deve ter levado horas. Emma, você viu a finura das tranças no cabelo dela? - chamou uma de suas amigas.
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Jardim do Sol
FantasyQuem não gosta de uma boa fantasia medieval? Ou uma protagonista do mundo moderno que viaja para um mundo medieval por meio de um espelho, porta ou janela mágica? Apolônia faz isso, quero dizer, a princesa Apolônia Abayomi faz algo semelhante a isso...
