Itália, verão de 1996.
Mais do que qualquer coisa, eu adorava as férias de verão, eram tempos mágicos onde eu podia me divertir pelos lagos da fazenda e principalmente, ficar longe de toda a pressão estética da escola. Aquele era meu último verão escolar, no ano seguinte faria terminaria a escola e estaria livre para ir para a capital, começar uma faculdade e finalmente me ver livre da prisão paternal do meu pai.
— Você acha que meus seios crescerão mais o fim do verão? — Giovanna pergunta ao encarar seus seios, enquanto os amassava entre os braços.
— Quer que cresça mais? Como você é egoísta. — Respondo ainda olhando para o céu azul, sem uma nuvem sequer.
— Claro que não, mas quero estar diferente ano que vem, talvez assim os garotos olhem mais para mim.
Reviro os olhos, deitando de barriga para baixo.
Giovanna era a minha melhor amiga desde que comecei no fundamental, ela era morena, olhos extremamente azuis e dona de uma boca de dar inveja, fora seu corpo que parecia um cruzamento entre a Angelina Jolie e alguma modelo brasileira.
— Pensei que você já tivesse um namorado.
— Sim, mas não penso que estarei com ele para sempre. Uma garota precisa estar sempre prevenida. — Ela se deita ao meu lado, olhando para a escola de longe. — Deveríamos arrumar um para você!
— Nem começa, você sabe que os garotos da escola me odeiam.
Gio olha para mim um pouco enquanto arranco com força alguns fiapos de grama, tão frustrada por não dar sequer um beijo em um ano.
— Está sendo dramática.
Não estava não. Diferente dela, eu tinha os olhos da cor de um avelã e cabelos incontroláveis, como meu pai costumava dizer. Não era nenhuma modelo, tinha um corpo bom para minha estrutura, mas terrivel aos olhos dos garotos. Eu era um inceticida para garotos.
— Se nesses dezesseis anos nunca beijei ninguém, duvido que vai ser agora.
Gio fica um pouco calada, o que era um milagre, então percebo que ela observava alguém saindo da cantina da escola, olho para o mesmo ponto e vejo Miguel. Ele caminhou até alguns garotos do outro lado do campo, o grupo dos populares da escola. Nós observávamos eles como duas atiradoras de guerra, deitadas em meio a grama, após uma tentativa de fazer um piquenique durante o intervalo.
— O que você acha de finalmente ir falar com o Miguel? — Ela pergunta ainda olhando para eles.
Balanço a cabeça com força.
— Claro que não, ele está totalmente fora de cogitação.
— E, por quê? Você sempre olha para ele e não faz nada.
Gostava do Miguel há anos, desde que ele sentou na cadeira a minha frente na aula de história e emprestou de mim uma borracha, ele não devolveu a borracha, mas eu também não tive coragem de pegar de volta. Miguel Bianch era um pedaço de mau caminho, filho do padeiro bem sucessedido da cidade, o garoto mais lindo da escola e com certeza desejo de todas as meninas. Eu não era palho para elas, ainda mais com minha fama de virgem feia.
Balanço a cabeça mais uma vez.
— Não, não.
— Tudo bem — Giovanna se levanta da grama, limpando os fiapos verdes de grama da sua saía —, eu vou falar com ele pra você.
— Não! O que diabos você tem na cabeça?!
Tentei agarrar seu pulso, mas foi em vão.
Giovanna andou rebolando até o grupo de garotos do outro lado do pátio. Não consegui ouvir a conversa, mas quando eles olharam para mim, deitei minha cabeça no chão na tentativa desesperada de me esconder.
Giovanna nem sempre foi assim. Após ela perder sua virgindade no acampamento de verão do ano passado com um dos monitores, ela desabrochou, tinha coragem até mesmo de chegar nos professore mais bonitões e passou a chamar mais atenção. Ela parecia ter aceitado que cresceu, enquanto eu me escondia na coitadolandia.
Ela não demorou muito para voltar, assim que a mesma chegou proximo de mim, a puxei para baixo pelo braço.
— O que você disse? — Pergunto com os olhos arregalados.
— Disse que se havesse alguma festa, eles poderiam nos chamar.
Aperto os olhos em direção à ela. Sabia quando Gio estava escondendo algo, seus lábios ficavam enrugados querendo rir e suas bochechas mais rosadas do que de costume.
— Gio...
— Falei sobre você para o Miguel.
Meu coração palpitou.
— Então?
Percebo que ela não parecia tão contente em falar aquilo, como se fosse me desapontar.
— Bem, não disse que você gosta dele, mas mencionei seu nome. — Continuo olhando para ela, esperando mais, enquanto ela hesitava. — Ele disse que você é um pouco estranha.
Não fiquei magoada, e fiz questão de demonstrar isso. Miguel pensava o que todos pensavam, eu era esquisita. Não era atoa eu não ter dado sequer um beijo esse tempo todo, a escola inteira parecia saber que eu continuaria sendo uma virgem feia para sempre.
Antes que eu falasse algo, o sino do intervalo toca, Gio e eu nos levantamos juntando o pano esticado no chão e nossas lancheiras.
Passei as últimas duas aulas quebrando a cabeça, pensando em algo que me deixasse mais atraente aos olhos alheios, mas nem mesmo que eu subisse minha saía os garotos olhariam para mim. Eu era irreversível.
O ônibus me deixou no ponto de sempre, acenei para Gio que olhava para mim da janela, acenando de volta, como se aquela fosse a última vez que nos veríamos.
Meu pai me esperava na entrada da fazenda em sua caminhonete, entrei e sentei no banco da frente.
— Como foi o seu dia? — Ele perguntou, como fazia todas as tardes.
— Graças aos céus as férias estão chegando. — Ouço ele fungar. — Papai?
Ele olha ligeiramente para mim, com seus olhos azuis e depois volta sua atenção para a estrada.
— Diga, Linda.
— Não me olhe com olhos de pai — ele funga mais uma vez, como se ja
esperasse o que viria pela frente —, e sim como se eu fosse uma garota qualquer. Me acha bonita?
— Claro que sim, Linda. Seu apelido não é atoa.
Revirei os olhos.
— Está me olhando com olhos de pai!
— E é justamente por isso que minha opinião deveria ser a mais importante. — Cruzo os braços em frente a barriga. — Isso é por causa da escola?
Olho para meus pés, mais especificamente para minhas sapatilhas pretas cobertas de poeira e minha meia três quartos suja. Se meu pai começasse aquele assunto, eu teria uma palestra de horas sobre como não deveria me apaixonar pelos garotos da escola porque eles engravidam as mulheres e que sou muito nova para isso.
— Todos me acham esquisita. — Declaro com a voz mais triste que pude.
— Eu acho você maneira. — Ele bate a ponta de seu indicador no meu queixo, me fazendo rir um pouco. — Tente não se importar com esses moleques, um dia ate mesmo voce perceberá o quão linda é. E não estou falando somente de aparencias.
Chegamos na fazenda minutos depois, era somente um quilômetro e meio longe do portão. Meu pai saiu do carro e em seguida eu saí também. Morávamos na área rural da Sicília, uma fazenda grande que era fonte de renda para nossa família há gerações, meu pai era o maior fazendeiro da região e tinha muitos negócios com estrangeiros, isso nos tornava as pessoas mais ricas da cidade, mas nem mesmo isso fazia minha popularidade aumentar.
Assim que bati a porta, vejo Lucca entrando pela porteira que dava acesso ao gado, logo atrás, veio Alyster puxando um boi pela corda. Corro até eles com a minha bolsa pendurada no ombro. Subo na cerca de madeira do curral, enquanto Lucca fecha a porteira.
— A vaca já teve o filhote?
— Não, ainda não. — Ele responde enrolando uma corda em seu punho.
— Ela nunca vai ter? Parece que já fazem séculos.
Pulo da cerca tentando acompanhar o passo apressado deles.
— Por que você não vai atrás do Matteo ver o que ele está fazendo, hein? —Lucca responde com aquela impanciencia de irmão mais velho.
— Porque você tem que ser tão grosseiro, hein?
Alyster rir um pouco.
— Temos que mandar esse danado para a castração. — Alyster murmura enquanto puxa com toda força o boi que tentava se soltar a todo custo. — Não iria querer ver isso, iria?
Ele inclina um pouco a cabeça para o lado, olhando bem para mim, com aqueles olhos azuis esverdeados e um meio sorriso nos lábios avermelhados.
Não consegui responder, apenas balancei a cabeça.
Alyster afrouxou um pouco a corda, o boi se soltou pinotando por todo lado.
— Eu disse para você segurar bem as cordas, Alyster! — Lucca, meu irmão, grita. — Se afasta, Linda.
Eles vão atrás do boi, tentando alcançar as rédeas. Eu me afasto um pouco, observando a cena mais de longe. Alyster finalmente alcançou a corda, enrolou em seu punho e puxou com força, fazendo todos os músculos em seus braços saltarem. Era possível contá-los, pois ele usava uma regata branca surrada. Era possível ver absolutamente tudo.
Alyster Katto era filho do caseiro Nicolas Katto, o braço direito do meu pai. Crescemos juntos, desde sempre estou acostumada com a presença dele na fazenda, ele era amigo do meu irmão, apenas um ano mais velho que ele. Depois de seu pai se ausentar devido a doenças, ele assumiu o posto dele.
Alyster nunca soube o que era ser feio, sempre viveu arrodeado de garotas, qualquer pessoa se atraía por esse garoto.
— Você está com a cabeça onde hoje? — Luca pergunta, irritado.
— Se a Melinda não tivesse aqui, eu diria. — Alyster responde sorrindo.
Lucca dá um empurrão nele e ambos riem.
Continuo observando a cena, com as mãos na cintura.
— Me dê essas cordas antes que eu amarre elas no seu pescoço.
Lucca pega a corda e puxa o boi para o celeiro onde aconteceria a castração, Alyster ia atrás, mas antes de entrar no celeiro ele se aproximou um pouco de mim e mirou seus olhos nos meus.
— Não irá demorar muito para o bezerro nascer.
Olhei para o chão, depois para ele.
— Eu espero.
Observei suas costas antes dele sumir completamente. Alyster era um sonho, mas daqueles ainda mais impossíveis do que o Miguel. Desde muito nova eu gostava dele, queria perder minha virgindade de boca com ele, mas depois de alguns anos a vontade simplesmente sumiu, talvez por ele sempre me tratar como uma irmãzinha, ele não me via com outros olhos além desses. A minha paixão platonica por ele sumiu. Sumiu um pouco.
— Melinda, venha comer. — Greta, nossa governanta, me chama.
— Já estou indo!
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Indomável paixão
RomanceMelina retorna a sua cidade Natal após grandes traumas do passado. Focada em mostrar a todos a mulher que se tornou, ela não contava com sua paixão da adolescência, um cowboy irresistível com quem viveu momentos quentes no passado.
