1. Capítulo único

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O barulho do trânsito, congestionamento, discussões, a fumaça, o ar poluído, o sol escaldante e a baixa umidade do ar. Fatores que em conjunto tornam a vida numa cidade grande algo um tanto complicado de aturar, era impossível terminar o dia sem ter dor de cabeça, junto a isso, uma grande carga horária de trabalho.

Não que Tecchou não gostasse do que fazia, mas cozinhar, provar e temperar alimentos o dia inteiro não era mais tão bom como no começo de sua vida nesse ramo. Ele sentia falta de acordar ansioso para trabalhar, mesmo que de graça, eram bons tempos. Tempos destruídos pela realidade.

Os problemas da vida adulta o atingiram em uma velocidade surpreendente, como uma enchente. Ele só tinha vinte e três anos, mas sentia como se já tivesse mais de trinta. Era pressão demais para uma mente tão jovem, responsabilidades caiam em suas costas igual constante chuva de granizo. Para piorar, seu relacionamento amoroso parecia estar cada dia mais decadente.

O ambiente no serviço também não estava bom, lidar com o bem estar e saúde de seus clientes era mais trabalhoso do que havia pensado; a pressão, ansiedade e agitação tornavam aquela cozinha um verdadeiro caos. A garantia de que todos os que estavam sendo servidos saíssem satisfeitos era seu dever, que requeria toda sua atenção, a ponto de não sair do estado de exaustão há pelo menos algumas semanas.

…

Largado na cama como se ela fosse apenas dele, Tecchou estava com os olhos fixos no teto, não conseguia de maneira nenhuma dormir. Não sabia se havia sido a quantia exuberante de café que bebeu de manhã ou o energético que tomou para se manter de pé ao longo do dia; também não dormia bem há muitos dias, suas olheiras – poucas, apesar de tudo –, estavam mais aparentes e sua cabeça doía, de novo.

Ao seu lado, Jouno resmungava alguma coisa.

Ah, claro, Tecchou estava quase chutando-o da cama sem perceber, faltava muito pouco. Num pequeno susto, encolheu suas pernas e se sentou na cama, abraçando-as, não queria machucar sua companhia.

Jouno percebeu que Tecchou estava acordado, porém, não fez nem falou nada até ser alvo dos espasmos que as vezes o moreno tinha. Há um tempo estava irritado com seu comportamento. Não é que Jouno não estivesse acostumado ou cobrasse vigorosamente sua atenção, pelo contrário – às vezes Suehiro era quem fazia isso –, também era ocupado demais. Ainda assim, eram claras as mudanças nele, e isso irritava Jouno mais que qualquer outra coisa; Sua presença deixou de ser frequente no dia a dia de Jouno. Não passava tempo em casa, retornava a ela apenas para dormir; ao longo dos dias, as ligações diminuíram, a última mensagem foi há quinze dias; quando chegava em casa, mal trocavam uma ou duas palavras. Pessoalmente, eram motivos suficientes para estar irritado.

Infelizmente, Tecchou não percebeu nada disso. Estava tão ocupado, com a mente a ponto de explodir, que não se deu conta que a pessoa que amava estava tão angustiada quanto ele. Suehiro naquele momento não quis prestar atenção no que Jouno resmungava – já estava estressado demais, não conseguia lidar com ele agora –, saiu da cama e foi para a sala assistir televisão. E Saigiku pensou que estava sendo ignorado de propósito.

Meses foram gastos em discussões, uma atrás da outra, às vezes por motivos bobos. Estavam frios um com o outro de forma, não era intencional mas ninguém pedia desculpa, apenas se ignoravam.

…

Ao amanhecer, Jouno não acordou seu marido como de costume, porque sempre acordava mais cedo que o necessário, não tentou sair de cima de quem o prendia num abraço repentino, muito menos escondeu seu rosto entre a curvatura do pescoço dele ou o beliscou; afinal, Tecchou não estava no quarto. Saigiku até sentiu seu joelho bater contra o tornozelo do outro deitado de qualquer jeito no sofá, todavia, fingiu que não e seguiu em frente, indo para a agência onde trabalhava antes que Suehiro acordasse.

O oceano levou embora tudo o que os incomodava. - SuegikuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora