capítulo único

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  É aniversário de Omi, pensou Atsumu ao acordar cedo antes do treino.

  Aniversário de Sakusa Kiyoomi, o ponta de seu time de vôlei. E seu ex-namorado.

  Era errado pensar em seu ex no dia do aniversário dele? Pior, era errado fazer um bolinho para seu ex de presente? Atsumu era um bom rapaz, e entendia que o término dos dois foi em bons termos. O que para Sakusa, significava que ele ficou o encarando por um tempo e depois deu as costas a ele. Mas bem, ele e o ponta ainda colegas de equipe.

  Atsumu se convenceu de que não faria mal cozinhar rapidamente um doce do qual ele sabia que Sakusa gostava. Cozinhar, no entanto, foi uma atividade menos divertida do que ele imaginara. A cada colherada de açúcar e trigo na massa, era uma memória dos dois. O antigo eles. Não existiam mais, e isso fazia um ano e meio.

  O término com certeza foi mais difícil para Atsumu. Foi ele quem percebeu que as coisas estavam... frias. Foi ele quem pediu para terminar, mas também foi ele quem não pôde voltar a treinar por mais de uma semana, trancado em casa deprimido. Atsumu soube por meio de Hinata que Sakusa não faltou um dia sequer, não teve queda em seu desempenho e se não fosse pela mensagem de Atsumu, o amigo não saberia que havia algo de errado.

  Ele não se importou.

  O jogador balançou a cabeça, tentando fazer com que os pensamentos voassem de sua cabeça para outro lugar. Ele não os queria aqui. Atsumu já superou faziam meses.

  Ele encarou os bolinhos prontos dentro de um pequeno pote antes de sair do carro, dando a si próprio uma chance de desistir. Sakusa estava entrando no ginásio sendo recebidos por curtos abraços pelo resto do pessoal. Atsumu era a única pessoa que ele permitia o encostar por mais de cinco segundos. O único que Sakusa dizia desejar ser tocado.

  Atsumu respirou fundo e saiu do carro.

  Um breve "feliz aniversário" para o ponta, seguido por um olhar mais longo do que o confortável e então um aceno de cabeça de Sakusa, que pegou os bolinhos e o guardou em sua mochila. Mais fácil do que o planejado, menos íntimo do que estava acostumado.

  O contato deles fora tão frio que fez seu aniversário de dois anos antes parecer uma grande festa. Atsumu foi mais insuportável do que o comum com beijos e braços, encostando e encostando. Os outros diziam que ele deveria parar de incomodar seu namorado, mas eles não viam o que Atsumu via. Aquele sorriso, aquele pequeno sorrisinho de Sakusa que fazia tudo valer a pena.

  Atsumu precisou de um minuto para se recompor antes que deixasse as memórias o consumirem por completo.


  O treino fora cansativo. Atsumu encontrou uma boa maneira de parar de pensar em seu ex-namorado descarregando todas as suas energias na quadra. Quando fizeram pequenos jogos entre si, ele não tão discretamente se enfiou todas as vezes no time em que Sakusa não estava. Foi bom não precisar levantar para ele. Foi bom ganhar dele, arrancar algum som ou olhar desgostoso de seu rosto inexpressivo. De alguma forma, Atsumu ainda queria ter alguma reação vinda de Sakusa.

  Ele passou a segunda toalha pelos cabelos molhados, enquanto a primeira descansava presa em seus quadris. Atsumu bocejou, preparado para deitar na cama e talvez chorar um pouco quando a campainha tocou.

  Ele franziu as sobrancelhas, mas sua boca não poderia estar mais aberta quando viu quem era a sua porta.

– Tsumu? – Sakusa o olhou de cima a baixo, um leve brilho em seu olhar que Atsumu não via desde muito antes de seu relacionamento acabar.

– Sakusa? O que está fazendo aqui? – Atsumu tentou não corar com a encarada.

  Sakusa fez uma cara estranha ao ouvir seu nome.

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