Capitulo Único

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Arraial do Cabo, Janeiro de 2018

"Esse foi Rubel com a música Quando Bate Aquela Saudade. Continue ligado na rádio Riomar, a rádio mais romântica de Arraial."

Naquela altura já faziam algumas horas que eu dirigia pela estrada a caminho do sítio. Eu poderia ter pedido carona para meus pais mas não queria incomodar. Além do mais, era o casamento da minha irmã, uma ocasião tão importante me fez ter gosto por pegar estrada. Era só eu, o carro, minhas malas e o rádio. E digamos que o locutor não parecia se compadecer muito com a minha situação.

"Fique agora com Tiê e seu grande sucesso A Noite. Essa é a Riomar."

Não disse? Os acordes de piano aparecem e sinto meu coração se apequenar até ficar do tamanho de uma amêndoa. Eu costumava ouvir ela quando era mais jovem, mais livre, mais inocente... Mas eu estava de volta. Essa era a surpresa que eu faria depois do casamento. Meu apartamento no Rio já estava alugado e abrigava todos os meus pertences.

"Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços? / Me entorta as costas, me dá um cansaço. / A maldade do tempo fez eu me afastar de você. (...)

Sinto minha garganta se fechar em sinal de tristeza mas me recuso a desligar o rádio. A tristeza da culpa sem motivos vez ou outra me assombrava. Era o meu fantasma desde o dia em que fui embora, em 2012. Mas quem podia me julgar? Era algo planejado e desejado há tanto tempo. Minha mudança para a Espanha fora algo esperado. Minha família e meus amigos sabiam que eu teria que partir e eles aceitaram bem. Ela aceitou bem o nosso fim pois nunca deixou de me apoiar. Mas isso não me impedia de me sentir triste e chorar as vezes, assim como eu chorava agora.


Quando Carol anunciou que finalmente havia aceitado o pedido de casamento do Roger, eu fiquei completamente euforia. Só os mais próximos da minha irmã mais velha conheciam o seu medo de um compromisso daquele tamanho e saber que ela havia o superado me deixava mais do que feliz. Como eu já estava cansada da Espanha, usei de pretexto para adiantar meu retorno ao Brasil. Carol ainda achava que era só para o seu casamento.


Sorrio daquele pensamento enquanto estaciono o carro na entrada de uma enorme fazenda. Minha melhor amiga Duda está conversando com uma das pessoas da organização quando me aproximo. Parecia compenetrada no trabalho pois nem se incomoda com a aproximação.


"Então, meu filho. Você vai me mudar de lugar sim, por favor. Eu me recuso a me sentar do lado da Jana e você vai fazer esse favorzinho para mim, a noiva não vai se importar..." Diz enquanto tenta mexer no tablet do garoto, que aflito, não sabia se obedecia ou entregava de uma vez o eletrônico nas mãos de minha amiga.


"Ah não, Eduarda. Nem quando o casamento não é seu, você fica perturbando os outros?"


Minha provocação é o bastante para fazer Duda sair de sua tarefa. Quando nossos olhos se encontram é impossível não sorrir. Vejo seus olhos se encherem de lágrimas e sinto os meus molharem também. Quando sinto nossos braços envolverem uma a outra em um abraço, libero o soluço em minha garganta. É bom ter minha amiga sem ser por uma tela.


"Meu Deus, eu tô sonhando." Diz enquanto me aperta. "Eu tava com tanta saudade de você me perturbando pessoalmente, Luiza..."


Os próximos a notarem minha presença são Igor, Roger e minha irmã. Os assisto correr até que sinto nós cinco num mega abraço. Minha irmã também chora e os meninos gargalham em felicidade. Estamos juntos mais uma vez.

Nas Ondas da Radio RiomarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora