1. A fuga

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Em um futuro muito distante.

  Abri meus olhos, e eles estavam fixos em uma mulher ruiva. Quem seria ela? Eu estava desnorteada, o que estava acontecendo? Até que me lembrei do que havia acontecido.         Não sabia quanto tempo tinha se passado, porém, lembrava de todos os detalhes, da hora em que meus pais foram mortos por duas pessoas. Não pessoas, e sim ciborgues. Coisas assim não mereciam ser chamadas de pessoas. Eu os vi matando meu irmão também. Deixando as lembranças desse momento de lado, meu único instinto foi correr. E nossa, como eu corri. Tão rápido, parecia até que..
Eu não era humana.
    Mas não poderia ser. Eles me transformaram? Ja estava a muito tempo ocorrendo boatos de que a Organização dos ciborgues (como muitos estão chamando) estava sequestrando pessoas e transformando elas em ciborgues para virarem suas marionetes e fazerem o que eles bem entenderem.
    - Parem essa garota! AGORA! O processo ainda não foi concluído! - gritou a mulher ruiva, que eu tinha visto a um momento antes.
    Com isso, eu corri mais rápido ainda, e cheguei a um corredor estreito onde haviam várias portas. Alguma delas seria a saída?
     - Ei! Você.
    Quase dei um pulo. Mas de onde veio essa voz? Eu estava maluca?
     - Não se assuste. Aqui, na primeira porta, entre, antes que te vejam. Rápido.
    Mas o que? Deveria confiar? Poderia ser uma armadilha.. ou não. Era minha única opção.   
Entrei na sala um pouco escura, e procurei o garoto que tinha me chamado.
    - Não faça barulho. Esperaremos até tudo se acalmar e vamos sair daqui - ele disse, com certeza na voz. Ainda não tinha aparecido à luz, então pra mim era apenas uma voz do além.
    - Desculpa, mas quem é você? E por que tem tanta certeza que eu vou te acompanhar e esperar aqui com você? - tentei parecer firme. Não deu certo, ele riu.
    - Porque é o que você vai fazer, não? Ora, não tenho tempo pra palhaçada. Se não quiser ficar aqui e fugir, tudo bem. Só não atrapalhe meu plano, já te fiz um favor ajudando você a se esconder - o garoto veio para perto e eu consegui ver um pouco de seu rosto, seus olhos negros e cabelos ondulados escuros.
     - Ah, tudo bem - eu não sabia o que fazer, aliás, ele tinha razão, por que não? - como vamos fugir daqui? Nós fomos transformados? - perguntei, queria ter certeza do que tinha acontecido.
     - Infelizmente, sim. Porém, pelo que eu ouvi, o processo não foi concluído, ou seja, eles ainda não colocaram os chips em nós, então não podemos ser controlados por eles, o que explica que conseguimos fugir deles.
     - Nós não fugimos deles ainda..
     - Bem - interrompeu ele - você viu outras pessoas correndo da sala no meio do processo?
    - É.. não. Aliás, que horas você saiu?
    - Tempos antes de você, e por algum milagre consegui acordar, acho que a substância que eles nos deram para ficar inconsciente não teve tanto efeito em nós. Acho que em outros também, mas eles ja devem ter contido o pessoal. Nossa fuga foi inesperada. Eles devem imaginar que já estamos fora daqui.
     Era muita coisa pra pensar, e uma única coisa se passava na minha cabeça repetidamente; eu sou uma ciborgue. Mas não era tão ruim assim, era? Me sentia mais forte, mais rápida.. Talvez se fosse uma humana normal, não teria tido chance alguma ao fugir da sala de operação. Mas mesmo assim tudo isso me dava ânsia. E me veio a mente, por que esse garoto estava tão calmo? O modo como ele agia, não parecendo se importar.
    - Por que você age tão calmo? E qual seu nome?
   - Eu sou assim.. Meu nome é Daniel, prazer - ele estendeu a mão, me olhando, esperando que eu me apresentasse também.
     - Elizabeth. Queria saber, eles não olham essas salas não? E como sabe tanta coisa sobre eles? Quem são eles?
      - Opa, opa. Vai com calma, Beth - ele me olhou, como se perguntasse se poderia me chamar de Beth. Ignorei, ele continuou - então, como eu disse, eles devem achar que estamos muito longe daqui nesse momento, e eles têm mais o que fazer agora, do que perder tempo procurando a gente. O máximo que podem fazer é programar um ciborgue pra ir procurar a gente, tentar nos matar ou coisa do tipo..
    - Ta bom, ta bom. Já entendi, mas você não respondeu, como sabe disso tudo? - tinha que ter certeza se podia confiar nesse garoto. Ele parecia tão certo de si, e isso me deixava com um pouco de desconfiança..
     - Eu só sei o óbvio - foi tudo que ele disse.

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⏰ Dernière mise à jour : Jun 11 ⏰

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