Era mais um dia triste de inverno, as nuvens escondiam a forte luz do sol, e escureciam o céu, Luara estava sentada do lado de fora de casa, aguardava seus amigos para irem para a escola, o vento lhe açoitava o rosto com fúria, e fazia balançar seus cabelos pretos. Estava muito bem agasalhada, porém, ainda sentia muito frio, o céu alertava para uma breve tempestade, aguardou mais um pouco, e quando enfim ia desistir de esperar, ela os viu chegar conversando mais alto do que se é normal ver durante a manhã, (ou durante qualquer hora do dia). Eles chegaram, e nem sequer se cumprimentaram, apenas esperaram a conversa, e sem nem perceber, Luara falava tão alto quanto eles.
A escola estava vazia, a grande parte dos professores e alunos tinham faltado pela condição climática deprimente e congelante, então vendo a falta de professores, muitos alunos foram na diretoria pedir para serem liberados, de inicio, a diretora que era uma mulher muito insistente e chata, negava aos alunos, mas a pressão nela foi tamanha, que ela acabou cedendo um pouco, e acordou com os alunos de serem liberados mais cedo, mas que antes assistissem 3 horários de aulas.
Luara, Luan e Kayla conversavam alegremente apesar do clima triste e sombrio, estavam planejando o que fazer depois de serem liberados, pois tinham algumas horas até terem que ir pra casa realmente, todas as ideias foram rejeitadas, até Luan dar uma ideia perigosa:
- Por que não vamos para a floresta?
- Nesse clima? Você ficou maluco? Se acontecer alguma coisa com a gente não teremos aonde nos abrigar. - argumentou Kayla tentando ser um pouco responsável
- Olha, de fato Kayla está certa...
Kayla fez uma cara de vaidade, mas Luara logo acrescentou:
- Mas por outro lado, a gente não tem mais o que fazer, a pracinha está totalmente molhada , e ficar na porta de casa também não é algo muito divertido. Então talvez, a gente pudesse ir pra floresta.
Kayla olhou com decepção para Luara, que antes que essa pudesse se defender, Luan começou a falar em tom de vitória:
- Entãooo nós vamos na floresta, dois contra um.
- É isso que eu ganho por tentar ser responsável, certo, vamos para a floresta hoje depois da aula. -Disse Kayla contrariada
Luan fez uma leve feição de vitória.
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O sinal da escola finalmente tocou, Luara, Luan e Kayla pegaram suas mochilas e foram em direção a floresta, eles caminharam alegremente, mesmo com o péssimo humor de Kayla, que constantemente resmungava algo como: "isso não vai dar certo" "se morrermos vai ser culpa dos dois", o vento continuava furioso, e quando menos perceberam, chegaram a floresta.
- Pois é crianças, chegamos - brincou Luan enquanto se esticava um pouco
- É tão estranho ter uma floresta perto de casa, não é algo muito comum - comentou Luara tentando puxar o assunto
Mas a sua tentativa de puxar assunto falhou, e depois disso, ninguém falou mais nada, nem mesmo Luan. A floresta era esplêndida, dava para se ouvir os pássaros cantando, (o que de certa forma fez com que a feição de Kayla ficasse mais doce), as árvores eram tão bem cuidadas que dava a impressão que eram regadas e podadas todas as semanas, quase como se fosse propriedade privada de alguém. O solo era fofo e macio de se pisar, como um amontoado de travesseiros, de vez em quando se via algum pequeno animal correndo na frente deles, a floresta parecia uma linda e bela harmonia, como um mesclado de coisas que se harmonizavam perfeitamente, fazendo tudo aparentemente uma eterna dança, admirados com toda essa beleza, eles foram cada vez se afastando da borda da floresta, e se adentrando cada vez mais nas suas entranhas, nenhum dos amigos falavam nada, estavam hipnotizados por aquela fauna, e lentamente até quem sabe, se apaixonando por ela, estavam tão concentrados em admirar-la, que não sentiram que o clima mudou de forma suspeita, saindo de um frio congelante para uma leve brisa de verão, estavam soando, mas não tinham tempo para isso, a floresta era mais importante, era mais bela, era mais doce do que tudo que lhes aconteceram nesse dia. 30 minutos se passaram com eles nessa emersão completa na floresta, andando para o centro dela continuamente, em um estranho silencio. Até que Luan começou a sentir uma dor de cabeça repentina, e era tão forte que o fez ajoelhar, as meninas se abaixaram para o ajudar, e da mesma forma que a dor veio, ela se foi, mas ele se sentiu meio tonto, então os três amigos se assentaram na grama macia para descansar, e então de repente, Luara pareceu perceber que tinham andando muito para dentro da floresta
- Nos afastamos muito da borda... - Disse Luara com um tom preocupado
- Eu avisei que não deveríamos ter vindo, vocês não me escutam, e agora estamos aqui, tudo culpa de Luan que deu a ideia - Nessa hora Kayla deveia ter lembrando de que Luan não estava em boas condições para ouvir sermão, então parou de falar.
- Ainda temos tempo, talvez se tentarmos achar o caminho de volta.. - Opinou Luan com a voz cabisbaixa
- Nem se tentarmos, essa floresta é enorme, e você não está bem, nós estamos perdidos, completamente. - respondeu Luara se sentindo culpada
Os três ficaram sentados em silêncio, ainda admirando internamente aquela bela paisagem, só que agora com ar de preocupação, "deveríamos ter ido pra pracinha" pensou consigo Luan "pelo menos saberíamos como ir para casa", e em questão de alguns minutos, os três estavam chorando, e com uma dor de cabeça forte, mas não tanto quanto a anterior de Luan, e assim ficaram abraçados até dormiram, afinal, amanhã é outro dia não é? Mas nem sempre é melhor que o anterior, podendo até ser pior...
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uma viagem ao submundo
Randomo submundo é uma ideai aterrorizante a muitos séculos, labaredas de fogo se alastrando infinitamente, pessoas sendo torturadas, gritos e choros. Mas será que ele é dessa forma que conhecemos? Ou será que ele pior do que achamos?
