Os olhares

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Nota da autora: Eu sou muito emotiva então isso foi escrito sobre poças de lágrimas kkkkkk, boa leitura e muito obrigada pela atenção !!

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Eu sempre tive um encanto de ficar analisando o olhar das pessoas, algo magnífico comparado à multidão que passa despercebida  nos centros, colégios, trabalhos... estamos envolvidos nesse oceano de visões um tanto quanto  perdidas ou escondidas em vazios dos quais nem sempre somos capazes de desvendar. Aqueles dos quais somente hoje pude perceber que já me apaixonei e me peguei intrigada em descobrir quais mistérios eles passaram, ou sobre suas fragilidades, sutilezas, perversidades que os levasse até a mim. Alguns foram tão rápidos que a memória fez questão de levá-los como vento e assim conversas foram censuradas, imagens apagadas e a melodia de  registros imaginários se tornaram uma marcha fúnebre de completo silêncio. Outros cravaram seu território em um campo imaginário divertido na minha cabeça, aqueles olhos doces de quem tem sede do mundo e não consegue se saciar com a miséria das palavras e as completa com gestos e sutilezas corriqueiras do cotidiano * sou uma mulher que se apaixona pelos detalhes*. Teve alguns que eu tinha desejo de encontrar dia após dia, era como se os seus toques fossem através da lentidão em que meus olhos abriam e fechavam, o tempo era um mero detalhes do infinito de constelações que pulsavam brilhando sob meus olhos, a penetração permanente no foco  em que minhas pálpebras encaravam como um desafio árduo e sofrido observar quem eu desejava, o prazer por cada lágrima derramada e finalmente a decepção de uma fantasia bem arquitetada pelo sentimento de melancolia preenchido como um oceano frio e perdido por todas as vezes que senti meus olhos lacrimejarem por resistir e tomar de fato a mais frágil e intocável realidade: aquele que seria meu primeiro e fatal amor, era só mais um olhar perdido e sem destino como tantos outros que encontro por aí, vagando em busca de um sentimento que eu não posso oferecer. Quando se trata dos meus olhos, sou como um rio que nunca se seca, um olhar cansado que consegue mais sentir do que explicar, que desagua em grandes porções e escorregam pelo corpo como se levasse todas as feridas que calei no meu peito e escondi do mundo ao meu interior, as vontades das quais ainda não pude realizar e a saudade daquele olhar... aquele piedoso e miserável olhar que suplicava por misericórdia e todas as vezes que o encontro, percebo que na verdade ele sempre esteve em mim e em cada um de nós vagando e se nutrindo da nossa maior sensibilidade, até que o olhar de esperança e boas vindas se torne um completo adeus .

OlharesWhere stories live. Discover now