Princesa Daella Targaryen

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82 D.C, Ninho da Águia, Vale.

Daella Targaryen sempre fora uma menina tímida e delicada, assustada com o mundo e extremamente sensível a ele. Nem mesmo o tempo conseguiu moldá-la naquilo que sua mãe e seu pai, sobretudo o pai, esperavam que ela se tornasse.

Ela cresceu não para possuir a ferocidade de Alyssa, a devoção de Maegelle, ou a beleza confiante de Saera ou Viserra. Ainda assim, sua mãe costumava dizer que Daella era doce, bondosa e dona de um coração gentil, e que isso, por si só, bastava para ela.

Com os anos, ela floresceu à sua maneira e, como seus pais e irmãos, herdou os traços de seus ancestrais valirianos: pele pálida, cabelos loiro-platinados e olhos violetas, características incomuns entre os westerosi descendentes dos Primeiros Homens, dos ândalos e dos roinares.

O rei, apesar de conhecer bem suas limitações, decidiu que ela precisava de um marido. Ele nutria a esperança equivocada de que um bom matrimônio pudesse corrigir sua natureza frágil, e encarregou a rainha de encontrar um pretendente adequado para uma princesa do reino.

A rainha Alysanne Targaryen chegou a considerar um noivado entre Daella e Vaegon, irmão e irmã, união comum em sua Casa e na antiga Valíria. Mas Vaegon nunca lhe agradara. Seu irmão mais velho era um garoto mal-humorado, indiferente à existência de outras pessoas, interessado apenas em seus livros. Pior ainda, Daella logo percebeu que o sentimento era mútuo. Vaegon deixará claro para metade da corte que apenas a tolerava, chamando-a de tola, de mente fraca, dominada por medos irracionais. Quando uma das damas da Rainha perguntou quando eles se casariam, o irmão respondeu com desdém suficiente para humilhá-la diante de todos.

Humilhada, Daella, que recentemente havia comemorado seu nono dia de nome, fugiu chorando do salão e foi consolada pela mãe, que a encontrou encolhida debaixo das cobertas de sua enorme cama. A Princesa só pode se sentir um pouco vingada quando, um ano depois, Aemon e Baelon arrastaram Vaegon ao pátio de treinamento, na esperança de fazê-lo se interessar por algo além de seus livros, e Alyssa o derrotou e zombou dele diante dos homens de armas enquanto Daella observava tudo de uma janela, com o coração um pouco mais leve.

Ela acreditou, por algum tempo, que ficaria sem pretendentes, que nenhum homem a desejaria como esposa, como Vaegon proclamara. Mas a mãe garantiu que outros surgiriam, que ela era bonita, e que qualquer homem nos Sete Reinos seria feliz ao seu lado. Daella acreditou naquelas palavras com o seu ser e até ousou sonhar.

Isso foi até verdadeiramente conhecê-los.

Aos treze anos, conheceu Corlys Velaryon, que era tão apaixonado por navios e viagens quanto Vaegon era por livros.
Aos catorze, a mãe, que era conhecida por ser uma grande casamenteira, reuniu jovens escudeiros de casas promissoras para apresentá-la, mas todos se mostraram invasivos e ousados na ânsia de obter sua mão, um deles tentando até beijá-la sem consentimento que, ao final do dia, Daella só desejava distância.

Aos quinze, acompanhou a mãe a Raventree Hall, onde conheceu Royce Blackwood, o filho e herdeiro de Lorde Blackwood. Cortês, elegante, habilidoso com espada e a harpa, Royce pareceu perfeito para ela, até Daella descobrir que sua casa seguia os Deuses Antigos, e não a Fé dos Sete.

O pai começou a demonstrar irritação com suas esquivas em escolher um dos homens para desposar. Quando o novo ano chegou, a mãe sentou-se à beira da cama dela e lhe explicou a ordem do rei: Daella deveria escolher, até o fim do ano, um entre três pretendentes que lhe seriam apresentados pois, aos dezesseis anos, ela já se tornaria uma mulher feita.

O primeiro dos homens foi Boremund Baratheon, Lorde de Ponta Tempestade e seu meio-tio. O sangue compartilhado, entretanto, não impediu Daella de temer o lorde gigante, brusco, mais semelhante a um urso do que um homem. Sua irmã Viserra pisou-lhe discretamente o pé para lembrá-la de suas maneiras quando Daella permaneceu imóvel após o cumprimento do homem, apenas encarando-o com olhos arregalados, a boca entreaberta e um leve tremor nas mãos. A princesa tinha certeza de que a mãe percebera o medo estampado em seu rosto sempre que Lorde Boremund fazia soar a voz, tão alta e pesada quanto um trovão quebrando o silêncio do salão. Como resultado, ela passará o restante do jantar limitando-se a acenar com a cabeça sempre que lhe dirigiam alguma pergunta, enquanto os pais se esforçavam para preencher o silêncio constrangedor que se instalara à mesa.

Princess of the RealmOpowiadania do pokochania. Odkryj je teraz