Acordei no susto, desesperada.
A droga do celular não despertou no meu horário. Digo, provavelmente chegou a tocar, porém minha hibernação não me permitiu escutar o som irritante que me tirava do estado sublime de inconsciência.
Eu amo dormir, arrisco a dizer que é a única coisa que sei fazer com extrema perfeição.
Tá, não é difícil ser boa numa atividade que se resume a deitar ou se encostar em algo e simplesmente fechar os olhos, eu sei. Talvez seja esse o motivo por trás de eu ser tão boa e amar tanto fazer isso: A praticidade. Não tem ninguém me avaliando quando faço isso, não há um critério de competição com outras pessoas. Não sinto nenhuma cobrança quando estou jogada em minha cama, abraçada num travesseiro de corpo enquanto babo no outro abaixo da minha cabeça.
Sim, levo tanto a sério que comprei um travesseiro para a região abaixo do meu pescoço.
Na verdade era muito mais que um conforto para minha coluna, também servia de amparo para meu estado emocional. Não era nada fácil estar solteira por tanto tempo, ainda mais quando meu maior costume era dormir agarrada como um bicho preguiça numa árvore no dito cujo. Não sentia falta dele em si, só do corpo dele abaixo do meu durante a noite. Depois de dois anos, não poderia dizer que restaram sentimentos além da indiferença depois de um término tão complicado.
Mas deixando essa turbulência passada de lado, eu estava tentando passar por outra pior e muito mais torturante.
Afinal de contas, a falta de ter um corpo ao meu lado na cama já tinha sido resolvida e apesar de ter me incomodado um pouco, não era nada que eu e minha habilidade incrível de cair no sono não conseguíamos superar. O meu mais novo problema não me deixava ter a opção de comprar algo para resolvê-lo, eu não podia sequer contar a alguém sem que morresse de vergonha antes.
O que talvez resolveria, já que a questão que me atormentava ultimamente não me deixava dormir direito e quem sabe morta eu não poderia ter um sono digno?
Eterno? Sim, mas digno e duradouro. Era tudo o que eu precisava.
Meu problema tinha nome, sobrenome, olhos verdes e um cargo. Uma droga de cargo!
Era o meu chefe.
E não, não era qualquer chefe, porque meu trabalho não era qualquer trabalho.
Eu simplesmente trabalhava num dos restaurantes mais caros de Londres. E claro, manter um alto padrão de sabor e ter as melhores avaliações dos críticos mais renomados apenas subia a régua de excelência que era exigida para nós funcionários. Ah, e se tinha uma coisa que Harry sabia fazer, era exigir e se certificar de que nada estivesse fora do lugar. Nenhum prato sairia salgado demais, doce demais, quente demais, frio demais com a cozinha sob o comando dele.
A questão era que, além de um tirano filho da mãe, ele também era um puta de um gostoso.
Tudo bem, poderia ser meu daddy issues me sabotando em minhas relações com os homens à minha volta, até porque Harry Styles assim como meu pai parecia muito ser alguém emocionalmente indisponível.
No caso de Styles, fisicamente também. Ele só parecia chegar perto para gritar mesmo sem muita necessidade aparente, mesmo a cozinha sendo um ambiente extremamente barulhento e caótico, eu e meus colegas achávamos um exagero. Mas, por amor ao nosso trabalho, nenhum de nós parecia corajoso o suficiente para dar aquele feedback a ele.
Trabalhávamos juntos ali há dois anos, sim, desde a época do meu término turbulento. Acho que até mesmo nisso Harry tinha um certo envolvimento, vê-lo todos os dias ali tão de perto mas ao mesmo tempo tão distante não tinha me ajudado muito a superar tudo o que meu ex me disse em nossa última discussão.
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Freud e a teoria dos sonhos molhados - HS
FanfictionHarry Styles é um Chef tirano, que se comunica por berros e é odiado pelos funcionários de um dos restaurantes mais prestigiados de Londres. Emma tem uma queda astronômica pelo Chef que deveria ser fruto dos seus pesadelos, porém por algum motivo el...
