No quarto, solitário,
A melancolia permeia cada fenda obscura.
Rejeitado, ignorado,
Um ser secundário em sua própria aventura.
Minhas palavras emudecem, sem nenhuma tessitura.
Na solidão fria, sem um corpo para me aconchegar.
Perambulo perdido, sem rumo, sem lar.
Minhas habilidades, limitadas, sem brilhar,
A sombra da minha ignorância, pesada a pesar.
Inferiorizo-me, um ser inútil, sem valor,
A mente obscurecida, vazia de sabedoria.
Não encontro sentido, sou um fardo, um dissabor,
Nem mesmo a vida consegue aplacar minha agonia.
As interações, embaraçadas, desprovidas de fluência,
Esquivando-me, incomodando com minha presença.
A inadequação é minha eterna sentença,
Incapaz de encontrar conexão e pertença.
A autoestima definhada, esfacelada em cacos,
Desesperança derramada em um rio de desalento.
Perdido na vastidão, sem porto, sem barcos,
A solidão é meu único alento, meu único alimento.
Não há respiro nessa triste existência,
A cada amanhecer, a dor se renova.
Afogado nas lágrimas da minha incoerência,
Navego rumo ao abismo, onde a alma se comprova.
