Eu rasguei aquela foto.
Rasguei ela, imaginando que, dessa maneira, a dor de ter deixado com que você me visse intimamente se rasgasse e sumisse juntamente ao pedaço de papel que estampava nossos rostos, se perdendo diante do lixo acumulado em minha lixeira.
Quero me rasgar, mesmo sabendo que o retalho humano, perante essa fragilidade característica da espécie, não é perfeito e deixa seus rastros de vulnerabilidade tatuados na pele.
Confiei em ti, deixei com que observasse meus retalhos bem de perto.
Foi uma péssima escolha e essa é mais uma das coisas não palpáveis que eu sinto vontade de rasgar.
Queria te rasgar da minha memória, arrancar e descartar.
Não posso fazer isso, entretanto, tenho capacidade de me punir por ter te colocado em minha vida.
Vou me rasgar para esconder e esquecer minha incapacidade de te tirar da minha existência.
Me rasgar para fazer novos retalhos, retalhos estes que você nunca verá, me remontar para usar uma nova versão de mim a qual você nunca sentirá.
