Certa vez li em um livro que quando a maré sobe, ou você se afoga ou começa a nadar.
E naquele instante eu nem fazia ideia de como minha vida ficaria de ponta a cabeça. Estava prestes a afundar.
Só sei que tudo aconteceu por volta das 22 horas.
Fiquei de olho no celular para ver se chegava uma mensagem do Breno, mas não havia nem um coração gigante. Nada mesmo.
Ajeitei meu travesseiro e estava prestes a dormir quando meu toque do celular tremeu por todo o quarto. Para se ter uma ideia era "Poker Face", da grandiosa Lady Gaga. Achei que fosse Breno, porém a voz aguda que se projetou era da desbocada Flávia.
— Pri, pega a porra do casaco e desce. Agora!
— Fla, você tá doida, mulher? — Olhei meu relógio de cabeceira. Um ursinho que o Breno me deu no nosso mesversário de namoro de... 2 meses? — Passou das dez! Já estava indo dormir, e...
— Então pula da janela! — berrou sem pudor enquanto eu arrancava o celular do ouvido.
A voz de Flávia, se estivesse em viva voz, daria para o vizinho escutar e reclamar com a polícia de som alto. E, bem, no estado do Rio de Janeiro é permitido até as 22h.
— Flávia Monteiro Rodrigues. — Apelei para o nome completo — a senhorita bebeu?
— Não, Priscilinha! Agora levanta esse bundão da cama e desce aqui.
Bufei, desligando o celular. Levantei da cama e puxei a lateral da persiana para ver a Flávia lá embaixo.
Lá estava ela de moto acenando para minha janela, em frente à minha casa.
Toquei na caixa de lentes de contato, mas ignorei. Peguei meus óculos empoeirados mesmo. Girei a tranca da porta do quarto, peguei um casaco e pulei da janela com a ajuda da goiabeira que tinha na frente de casa.
— Sobe na garupa, vadia! Temos uma investigação para fazer.
— Investigação? Aconteceu alguma coisa com a Olivia?
— Que nada, ela tá bem. — Me estendeu o capacete. — Sobe logo que temos uma festa para invadir.
Naquele momento pensei em Breno na hora.
Breno era meu namorado há cinco meses. Na verdade, quatro e alguns dias. Ele estava na festa de um amigo dele da faculdade e... Bem, eu não fui convidada.
— A festa do Caio?
— A maldita festa do Caio Ribeiro — rosnou Flávia, batendo no guidão.
Flávia já deu uns beijos no Caio, mas foi aí que descobriu que ele estava ficando com uma antiga colega nossa.
— Isso não é implicância não, né?
— Caio chamou uma penca de vadias para a festa. Ouvi dizer que virou uma orgia! O Bruno não está lá?
— O Breno — corrigi — E sim, está. Ele não me trairia por um sexo casual. Temos uma vida sexual ativa! — Pensei comigo mesma que não transávamos há um mês.
— Sobe logo! — Deu para ver Flávia revirar os olhos na fresta do capacete.
Subi na garupa e me ajeitei no banco de couro. Minhas pernas eram grandes o suficiente para conseguir fechar as coxas no quadril dela.
— Fla, precisamos voltar em menos de trinta minutos. Se minha mãe descobre que saí com você sem autorização dela, eu estarei morta e enterrada antes do meio-dia.
— Então aperta os cintos!
— Que cintos?
E o cano da moto roncou. Flávia conseguiu chegar a 100 km/h antes mesmo de virar na curva da Rua Belo Horizonte.
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O Violinista [DEGUSTAÇÃO]
RomanceStrangers to Lovers + Found family + Fast burn Após pegar seu namorado na cama com outra, Priscila vê seu mundo virar de ponta a cabeça. Para piorar, sua mãe vê tudo como um leve deslize e a compara com a irmã bem-sucedida o tempo todo. Mas tudo m...
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