Capítulo 1-- Cara ou Coroa?

198 5 7
                                        


[Rádio ligando]
Osíris- Aqui é CRS Titan-17 tentando contato com a estação mais próxima, alguém na escuta?
[.....]
Osíris- Fico me perguntando por que ainda tento? Se não há mais ninguém lá fora, se não há mais nada, chegamos onde a luz já não chega mais.

????-Tentando o comunicador novamente, garoto? (Ele ri de forma debochada) Você sabe que isso não funciona mais.

Osíris- Às vezes me esqueço que ele está lá, trancado, preso por tudo. Às vezes me pergunto se eu deveria matá-lo, poupar sua vida seria uma injustiça contra tudo, mas... mas se eu matar, não serei igual.

No meio do vão do banco do piloto ele se sentava, olhando o horizonte tomado pelas estrelas mortas, planetas que já não existiam mais, vendo a imensidão de tudo, tudo o que um dia existiu, lembrando de quem foi e se perguntando quem agora ele é.

Dezembro de 2055, era um dia qualquer. Minha vida, como sempre, não tinha sentido. Minha mãe me abandonou após meu nascimento. Meu pai? Nunca cheguei a conhecer. Mas não se emocione, isso é só mais uma vida qualquer em Zero Mile, a cidade perfeita.
Nos anúncios do "antigo mundo", Zero Mile era o protótipo de cidade mais elevada possível, com oportunidades de crescimento e inovações, mas acabou que virou uma bagunça. Mais de 80% da população não consegue ter uma vida estável - desemprego, desigualdade, crimes - tudo isso enquanto os privilegiados da República crescem cada vez mais. No fim, virou apenas uma cidade superlotada, cheia de sonhos mortos e noites mal dormidas.
Depois da queda da antiga guarda, a nova República acendeu uma ditadura sinistra sobre os céus de Zero, dominando a população com força militar e aumentando ainda mais o privilégio entre classes. Você deve estar se perguntando quem sou eu no meio disso tudo. Bom, eu sou Osíris. Assim como qualquer jovem da minha idade, eu estou perdido, sem expectativas de vida, vivendo de favor com um dos meus amigos. Às vezes sozinho... bom, sozinho não, afinal, eu tenho eles.

[Telefone toca]
Osíris ( Pensamento)
Cacete, tô na cozinha.

Normalmente o telefone não toca. Na verdade, ele não toca pra mim. Não recebo ligações, não tenho familiares. Mas pro Z.E.T. já é diferente...

Osíris- Ah, é Z.E.T.

Atendo a ligação já esperando uma bronca. Z.E.T. não gosta que eu durma até tarde. Ele se estressa. Fico me perguntando com o que ele não fica estressado.
Osíris-Ah, cara, ainda bem que você ligou, eu já estava...
Fui cortado antes de terminar de falar.

Z.E.T.- Você estava dormindo até agora, não estava?

Osíris - Bom... se eu falar que sim, você não vai encher meu saco, não é?

Z.E.T- PORRA, OSÍRIS, SÃO 13:45 DA TARDE!!!!
Dizia ele gritando pelo telefone.

Osíris- Desculpa, cara, eu perdi a hora.

Eu tentei até me redimir, mas ele não é muito de ceder às coisas.

Z.E.T.-Já falamos sobre isso, Osíris. Não me faz ir aí te por pra fazer as coisas. Se eu for, eu te parto em dois.

Eu ficava curioso como alguém conseguia manter o mesmo tom de raiva durante tanto tempo.

Osíris- Você tá parecendo a minha mãe, cara. Vai me dizer que ligou pra cá só pra reclamar? Se bem que isso combina com você.

Z.E.T.- Claro que não. Eu liguei pra algo mais importante. Dei uma pausa aqui do CT só pra perguntar. Na verdade, eu iria falar isso pessoalmente, mas vai demorar pra chegar em casa e eu sei que você se atrasa pra tudo, então é melhor eu falar com ANTECEDÊNCIA PRA VOCÊ NÃO SE ATRASAR!!!!

Ele fez questão de enfatizar o atraso no final da frase.

Osíris- Você fala como se eu sempre andasse perdendo a noção do tempo. Mas você acabou que não falou o quê, pra onde você vai me chamar ou pra fazer o quê?

Osiris: Ao jogar de uma moedaStories to obsess over. Discover now