A quanto tempo estou andando por essas ruas? Com as lembranças me matando, e a cada esquina me perguntando o que fiz, o que fizemos para chegar a esse ponto? Sei que nossa história não tem vítimas, nós fomos os vilões...
Paro de andar ao sentir pingos em meus braços, esses que acabam engrossando, olho para o céu e vejo as cinzentas nuvens e a forte chuva que cai delas, não corro ou me escondo, simplesmente fico parada apreciando a sensação das gotas geladas caindo em minha pele, esperando que essa chuva me lave e mande embora essa culpa, olho em volta e percebo onde estou – dou risada, mas de nervoso – eu tinha que me trazer aqui? Já faz tanto tempo e eu ainda não superei? – Olho para o banco branco ao lado de uma linda árvore, o lugar onde nos conhecemos, o lugar onde eu disse que o amava... simplesmente fico parada encarando aquele banco, até sentir alguém atrás de mim e a chuva parar de me banhar, não preciso me virar para saber quem é, seu cheiro e sua presença forte deixa isso claro. Então me viro e encaro seus olhos...esses olhos, esse olhar intimidador, foi por esse olhar que me apaixonei.
— Olá, Lee Soo-hyuk. - digo o medindo, ele segura um guarda chuva acima de nossas cabeças, isso acaba nos deixando muito próximos, mas isso não me incomoda, ele segura uma sacola em sua mão esquerda e usa uma calça, e blusa de gola alta preta, e seu amado sobretudo... preto.- o mesmo de sempre. Preto é sua cor.
— Olá... - diz me estudando —Já faz tanto tempo... Você está bem? - pergunta com sua voz forte e sem tirar seus olhos dos meus. Seu olhar é tão intenso, parece ver quem você realmente é, nada passa abatido. - dou risada.
— Realmente já faz muito tempo... E como você pode ver, estou perfeitamente bem. - Respondo com um sorriso falso, sendo irônica. - Ele sorriu também, assim como eu. - isso ele aprendeu comigo.
— Você não mudou nada - diz sorrindo e balançando a cabeça negativamente.
– Não entendi... - Respondo dando uma risada nervosa —eu preciso de alguma mudança? Algo em minha pessoa te incomoda? - pergunto gesticulando com as mãos.
Então ele sorriu, mas dessa vez foi sincero.
– Algumas coisas, mas é esses detalhes que faz ser quem você é, e eu amo isso. Eu nunca mudaria nada em você e com certeza me apaixonaria por cada mudança... pegue - diz me aferecendo a sacola — É um guarda chuva.
Agora é a minha vez de balançar a cabeça negativamente, meus olhos se enche de lágrimas, quem ele pensa que é? Eu já não estava bem e ele vem com mais essa? O que ele quer?
– Acho que você precisa acordar assim como eu... Pode abaixar esse guarda chuva e se molhar comigo? Quem sabe ela não leve embora a culpa que você também carrega? - digo tentando segurar as lágrimas.
Algo me surpreende, seus olhos que não desviou dos meus por nenhum momento, se enche de lágrimas e eu vejo elas simplesmente descer sobre seu rosto. Eu deveria me abalar? Não sei, só sei que estou sorrindo nesse exato momento, não um sorriso falso mas verdadeiro.
— Sabe... eu estou gostando muito dessa situação - confesso e ele não se surpreende. — ver que você não está bem, me surpreende... Quero que saiba que nós dois somos culpados, não há vítimas aqui Lee, nós dois fomos os vilões.
— O mais culpado de toda história foi eu... por negligenciar seus sentimentos. - diz com a voz embargada.
— Não, não tem mais ou menos culpado, nós dois erramos, pronto. É normal. Errar é normal.
A forma que ele me olha, esse olhar cheio de lágrimas, culpa, lembranças e saudades... -por favor não faça isso...
— Sinto sua falta...
E ele fez...
— Por favor, não faça nós passar por isso novamente... não tente me fazer mudar de ideia... Sabe, a culpa que eu carrego, ela pesa, errei por concordar em esconder nosso relacionamento, errei por não falar que isso me incomodava, por mais que eu entendesse que isso era para me proteger, seu mundo consegue ser cruel com pessoas como eu... A minha culpa foi por não ter coragem... coragem para falar o que sentia... culpa por me tornar tão dependente de você... - choro com cada desabafo o encarando — Eu não sou assim, nosso relacionamento estava me moldando, me privando. Eu gosto de ser livre, eu não posso te amar no escuro... então sim, escolhi a mim, e essa sempre será minha escolha. Lembra o que sempre deixei claro? Se sim, por favor me diga. - me aproximo passando a mão eu seu rosto, esse que está molhado por suas lágrimas, abaixo minha mão, o tocar me machuca.
— Que o amor é uma escolha, não uma necessidade... - diz se aproximando.
— Por favor, fique onde está... Só me diz, qual é a culpa que você carrega? - pergunto
Ele fica alguns segundos parado me observando, provavelmente tentando advinhar onde quero chegar.
— Minha culpa... me acomodei, não percebi que o meu mundo pode te machucar de qualquer forma. Que qualquer lado que eu fosse isso iria te ferir, a minha maior culpa foi não ter lutado com você, ter enfrentado tudo e todos...
— Estávamos distantes, acomodados... mas quero que saiba que eu não me arrependo de nada, tudo que vivemos foi um grande aprendizado. E que o motivo por colocar um basta foi por mim, por ficar tão dependente de você... Isso estava se tornando feio. Você entende? Ser dependente de outro alguém não é saudável. Estávamos apenas sobrevivendo, e eu quero viver! Mas para isso acontecer tenho que deixar você ir... E isso que é o difícil. Deixar você ir. - dou três passos para trás vendo dor em seus olhos.
– Você sabe, que tudo que acabei de dizer é a verdade. Nosso amor se tornou feio. Adeus Lee Soo-hyuk... - digo me virando o deixando para trás. Então paro e me viro e ele continua parado no mesmo lugar. - então apenas grito : — Eu te amo, apesar de tudo, você foi meu melhor amigo.
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A Culpa que você carrega
ChickLit- Acho que você precisa acordar assim como eu... Pode abaixar esse guarda chuva e se molhar comigo? Quem sabe ela não leve embora a culpa que você também carrega?
