Eu a olhei naquele momento, em frente ao teatro, seus cabelos vermelhos se aproximavam de mim .
Conversamos na volta pra casa, marcamos de nos encontrarmos, e no dia seguinte nos vimos no campo.
O seu cheiro se misturava ao cheiro da grama fresca, naquele vasto campo. E o vento das árvores que passava pelos seus cabelos.
A vontade de tocar seu corpo, sentir sua pele, cada vez mais forte. Eu queria toca-la, tê-la em minhas mãos cada vez mais.
O tempo passou, até que decidimos nos deitar na mesma cama.
Seus olhos fixos no meu, a meia luz que vinha da fresta da cortina, seu cabelo em meu rosto enquanto fazíamos aquele amor gostoso .
Ao longo do tempo, fazíamos amor cada vez mais frequente, até que você disse o primeiro "eu te amo" então eu o respondi de volta, mesmo sem sentir.
Aprendi a ama-la com o tempo, nas noites de que dormi ao seu lado, e nas manhãs. No café no mesmo copo, bem adocicado, como o tempo que passamos juntos.
Apertei seu corpo contra o meu, abracei a sua cintura forte enquanto gozava. A força nas pontas dos meus dedos, tocando sua pele firmemente, cada passo delicadamente andado.
Seus orgasmos enquanto minha língua te acariciava, a ponta dos meus dedos te tocando fundo, e rápido, meus olhos fixos nos seus, esperando que você gozasse.
As vezes que a vi partir, e a trouxe de volta para mim, as vezes que quis ir, mas você me fez ficar, e depois de tanto você dizer que um dia eu a deixaria, por outra mulher, eu a vi me deixar sozinho novamente.
Naquela época, achava que nunca teria um . Final, que idiota. Você já não é a mesma mulher que eu conheci tempos atrás, você mudou, e eu também mudei.
A mulher que acabara de fazer 23 anos, cortar e pintar o cabelo de vermelho ainda vive em mim, e viverá para sempre, assim como eu a amarei para sempre, aquela mulher, mãe dos meus filhos, ela ainda está aqui.
Mas não é você.
Ainda me lembro da sua risada, do sabor do seu batom vermelho na minha boca, das suas lágrimas em meu peito
O sentimento bom daquela tarde no ponto de ônibus, nas noites sentados no banco da praça e das manhãs frias de junho a caminho da minha casa.
Mas você agora está cega, e esqueceu de tudo que vivemos juntos.
