Segunda-Feira (Capítulo I)

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Olá, eu sou o Arthur e há duas semanas atrás me mudei para o Rio de Janeiro.

Afim de dar início a minha futura carreira de ator, pedi transferência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a do Rio (UFRJ), já que o limbo do cinema e da televisão se encontram por aqui.

Vim de uma cidade pequena do interior de Minas Gerais, morei em Belo Horizonte por pouco tempo, então não estou tão acostumado com o enorme movimento de uma metrópole, imagina da capital do meu pais, o grande e belo cartão postal do Brasil.

Para me distrair e não torrar o dinheiro dos meus pais, consegui emprego, para as férias, em um restaurante bem chique daqui e hoje, faltando cinco dias para o natal, será o meu primeiro expediente.

Chego ao local um pouco perdido e com certa timidez, é um belo estabelecimento com uma pegada mais vintage, entro e sigo até o balcão onde tem uma moça escrevendo algo.

- Boa tarde, sou Arthur o novo funcionário - falo estendendo a mão em gesto de cumprimento.

- Boa tarde, sou a Clara, prazer em te conhecer e bem vindo ao Retrô - respondeu sorridente largando a caneta que estava em suas mãos para poder retribuir meu cumprimento.

Agradeci e perguntei o que era pra eu fazer, ela disse que por enquanto era só descer as cadeiras e assim o fiz, comecei pelo lado direito seguindo em ordem pelas fileiras, um pouco de t.o.c. que carrego em mim.

Ouvi a porta abrir e olhei na direção, era um garoto, talvez funcionário, certo momento nossos olhares se cruzaram, ele olhava fixamente pra mim e eu pra ele, alguma espécie de transe aconteceu naquele momento e acabei me desligando do mundo a minha volta.

Então deixo uma cadeira cair sem querer e volto à minha sanidade morrendo de vergonha. Mas que merda foi essa? Por que eu fiquei em transe olhando nos olhos de outro homem? Merda, deve ser a timidez.

O garoto cumprimenta a Clara e segue para o outro lado do salão também descendo as cadeiras e seguindo o mesmo padrão que eu, fileira por fileira.

Por fim nos encontramos na última mesa, ele desceu as cadeiras de um lado e eu do outro, e de surpresa ele puxa assunto.

- Então, da direita para a esquerda, fileira por fileira? - perguntou sorrateiro.

- Sim, bem observador você em - respondo tentando não olhar muito nos seus olhos, não preciso entrar em outro transe estranho.

- Um transtornado obsessivo compulsivo reconhece o outro, não é? - perguntou sorridente.

- É sim... Esquerda pra direita, fileira por fileira? - vi ele abrindo um sorriso e antes que respondesse me virei e segui em direção ao balcão.

A Clara me entregou um avental preto daqueles que vão da cintura ao joelho e entrou pra cozinha. Comecei a tentar amarrar o avental mas falhei miseravelmente, não dava certo de jeito nenhum, até que veio a salvação.

- Deixa eu te ajudar - disse aquele mesmo garoto se aproximando de mim.

Me aproximei e deixei que ele fizesse o trabalho, enquanto amarrava ele ditava cada passo que devia ser feito para amarrar o avental, nossos corpos estavam tão perto do outro que podia sentir sua respiração em meu rosto.

- Prontinho, aprendeu? - perguntou enquanto girava meu avental para o nó ficar na parte de trás.

- Muito obrigado e... Acho que sim - falei incerto.

- Tenta ai - pegou um avental no balcão, passou por sua cintura e se aproximou para que eu pudesse fazer a amarração.

Seguindo o que ele ensinou, passo a cordinha direita no primeiro buraco esquerdo, a cordinha esquerda de fora pra dentro no primeiro buraco direito e de dentro pra fora no segundo, puxo as duas cordinhas até ficar firme e faço o nó.

Querido Papai NoelStories to obsess over. Discover now