No universo turbulento da adolescência, Tiago, um jovem de 17 anos, enfrenta os desafios de tentar conquistar o coração de sua melhor amiga. Em meio a conflitos, descobertas e as complexidades do primeiro amor, esta história cativante explora os alt...
Os planos meticulosamente traçados desmoronaram. O intuito de abordá-la no dia seguinte foi frustrado mais uma vez; ela chegou atrasada, evitou meu olhar e foi a primeira a sair, repetindo o padrão nos dias seguintes.
Na quarta-feira e na quinta-feira, a cena se repetiu até chegar a sexta-feira. Eu estava preparado para o desfecho. Decidi realizar a prova rapidamente, mesmo que isso implicasse em possíveis erros, com o propósito de finalmente me dirigir a ela.
Assim o fiz. Em apenas 10 minutos, levantei-me, recolhi meus pertences e entreguei minha prova. Antes de sair, lancei-lhe um olhar significativo. "O que será que...", pensei.
Tiago... por favor, espere lá fora.
O professor de filosofia observava-me desconfiado, de braços cruzados. Estava imóvel, como uma estátua, enquanto observava-a.
Obrigado, professor!
Saí da sala e me acomodei no corredor, decidido a esperá-la sair. No entanto, ela não trocou olhares comigo durante o tempo em que permaneci estirado no chão.
A porta se abriu, levantei-me rapidamente, mas não era ela. Sentei-me novamente. Isso repetiu-se umas 15 vezes. Na vigésima abertura da porta, olhei para cima sem me levantar do chão. Não era ela.
Caramba! Essa prova não está tão difícil assim - refleti.
Passaram-se vinte minutos. Enquanto rabiscava a sola do meu All Star com uma caneta Bic, lembrei-me da teoria excêntrica de meu pai sobre as canetas Bic serem de origem extraterrestre. O pensamento me arrancou uma risada involuntária.
Quando a porta se abriu novamente, olhei para cima para identificar a pessoa. Desta vez, era ela, que passou por mim apressada.
Oi. - Cumprimentou sem nem ao menos olhar.
Recolhi meus pertences e fui atrás dela. Puxei seu braço, colocando-nos frente a frente. A velocidade do encontro quase fez com que nossos lábios se tocassem.
Desculpa, mas agora não dá, eu preciso ir. - Interrompeu-me, evitando meu olhar.
Soltei seu braço com alguma relutância. Não queria que ela partisse; desejava tê-la por perto.
Ela virou-se e afastou-se rapidamente, deixando-me sozinho no meio do corredor.
A caminho de casa, minha mente estava agitada. Longe de experimentar a calma e alegria que antecipava ao término das provas, planejara convidá-la para sair e celebrar o fim da semana. Contudo, diante das circunstâncias, estava perdido em pensamentos.
Quando dei por mim, já estava na rua da minha casa. Parei diante da porta e, antes de abri-la, olhei para a casa ao lado.
"Garotas são tão imprevisíveis", refleti.
Oi, mãe! - Disse, passando por ela sem encará-la.
Oi, filho. Feliz com o término das provas?
Olhei para ela da porta do meu quarto e respondi ironicamente:
Como se tivesse ganhado na loteria!
Bati a porta em seguida, joguei a mochila num canto, chutei meus tênis para o outro e fui para o banho.
Era tão estranho... fazia uma semana desde aquele pôr do sol no terraço. Acreditava que as coisas seriam mais fáceis após aquele momento. O que estaria acontecendo?
O dia seguiu de maneira rotineira, com a maior parte do tempo passada recluso no quarto.
Já era quase noite, e eu ainda estava deitado na cama com os fones no último volume.
"Ignorance is your new best friend
Ignorance is your new best friend..."
Eu ainda não conseguia entender. Foi ela quem pediu o beijo, quem fez crescer esse sentimento no meu pobre coração adolescente.
Como poderia agir assim? Fingir que nada aconteceu, evitando todas as formas de afeto que expresso. Talvez na internet ela seja outra pessoa, compartilhando mil fotos e vídeos
Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.