Eu estava sentada na cadeira de um ônibus, escutando música com fone de ouvido e olhando pela janela. O local mais sagrado para um momento de reflexão. Era uma manhã bem movimentada, pessoas iam e vinham, presas na própria rotina de sempre. Inclusive eu. Quando em uma das paradas, avisto uma madame bem vestida, descendo de um carro tão extravagante quanto ela. O carro se vai e ela começa a caminhar, sozinha. Quando de repente sua carteira cai da bolsa. Ela não percebe.
Olhei ao redor para ver qual seria o destino da tal carteira, para saber se há salvação para essa sociedade hipócrita. Mas sem julgar, como a maioria faz. Ali perto tinha um menino negro, no auge de seus 12 ou 13 anos, de aparência muito simples e cansada. Estava vendendo doces. Ele viu a carteira caindo.
Continuei a observar com mais empolgação qual seria o desfecho da história. Que atitude o garoto teria? A sociedade não espera muito desse "tipo de gente".
O garoto pega a carteira. E chama a senhora. Ela finge não escutar, segura com mais força a bolsa e começa a andar mais ligeiro. O garoto também anda mais rápido, para acompanhar a madame. E quando ela está praticamente correndo, ele grita: "Senhora! Você deixou sua carteira cair, senhora!"
A madame suspira, parece que não respirava nos últimos 10 segundos. Olha para o garoto, pega a carteira, e o agradece com uma nota de 100. Para ele, cem reais era muito dinheiro. O garoto vai embora, feliz. E eu, continuo a refletir na minha tão querida janela, quando o ônibus começa a sair da parada.
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Crônicas dos mil detalhes
أدب نسائيّO que passa despercebido em nosso cotidiano? Aqui você irá ler crônicas que trará temas críticos mas com um olhar bem mais detalhista e observador. #Janela de ônibus- crônica ganhadora em 3° lugar do VI Festival Alunos que Inspiram 2022. (Irei post...
