01 | 1 ano |

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"It's been a year now, think I've figured out how
How to let you go and let communication die out"

Observo o moreno de olhos castanhos-esverdeados ir para cima de um zagueiro com o dobro do seu tamanho

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Observo o moreno de olhos castanhos-esverdeados ir para cima de um zagueiro com o dobro do seu tamanho. Zero novidade.

Desde criança ele sempre teve uma personalidade forte e uma sede de se provar pros mais velhos. Não julgo-o.

- "Esse garoto só arruma confusão, tá louco pra tomar um cartão amarelo" - ouço Javier reclamar.

- "É algo que ele tem que aprender a controlar, mas não podemos julgar, ele só tem 17 anos, vai aprender com o tempo que, às vezes, a melhor resposta é jogando bola e humilhando os adversários com dribles e gols" - meu pai defende - "Mas bem, o Barcelona precisava mesmo de um jogador raçudo assim. O Pablo não tem medo nenhum de meter um carrinho ou se jogar na frente do adversário para evitar um contra-ataque, mesmo que possa perder um dente no processo".

Evito uma risada, mas não consigo. Isso, com toda certeza, é a cara dele.

Agora minha atenção se divide em escutar a conversa do meu pai com seu amigo, mexer no celular e assistir a quarta derrota seguida do Barça. Dessa vez, contra seu maior rival, o Real Madrid.

O time da cidade mais bela da Espanha não tem vivido seus dias de glória há um  tempo, infelizmente. Mesmo com bons jogadores não parece ter se encontrado ainda. E isso irrita bastante, porque sabemos que qualidade não falta.

- "Por que você não fala com ele, Sofía?" - meu pai direciona seu olhar para mim - "Tenho certeza que ele te escutaria".

Meu polegar desce a tela do Instagram rapidamente. Não quero responder a pergunta e se eu fingir que não escutei a conversa, talvez, ele não me faça a mesma novamente.

Ouço meu pai soltar um suspiro e voltar sua atenção para a televisão. Mesmo que eu não queira, ele me conhece perfeitamente para saber que eu não quero responder.

Um ano...

Faz um ano que Pablo e eu não nos falamos direito. Apenas cumprimentos formais em almoços e jantares das nossas famílias e na escola.

Nem parece que éramos inseparáveis.

Meus pais e eu somos brasileiros, mas nos mudamos para a Catalunha pouco antes de eu completar 5 anos. Desde então, Barcelona vem sendo a nossa casa.

Conheci o Pablo dois anos depois, quando ele se mudou com sua família de Sevilha para Barcelona, para jogar no clube catalão. Além de sermos da mesma turma, nós morávamos na mesma rua. Então não foi difícil a gente se aproximar. Sem contar que nossos pais trabalhavam juntos num restaurante. Logo, nossas famílias se tornaram bem amigas.

Como sou filha única, sempre o considerei como um irmão pra mim. E sei que meu pai o considera como um filho, vendo a maneira como ficou triste com nosso afastamento e como seus olhos brilham quando o veem jogar.

Paper Rings | Pablo GaviStories to obsess over. Discover now