Rimar

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Ela estava sentada no balcão do bar, não queria que alguém fosse a atormentar.

O copo de Martini prestes a acabar, o salto no pé a apertar,

O vestido vermelho, como os lábios, realçava o rosa do cabelo.

Um som estridente fez arrepiar-lhe cada pelo.

Curiosa, virou a cabeça para aquela direção,

Vendo a deusa com o baixo na mão,

Cabelos de sombra, olhos de noite, pele de lua.

Poderia ela roubar toda a atenção sua?

O instrumento canta, a voz ressoa, profunda como o mar,

Mordeu o lábio, outra dose fora tomar.

Precisava distrair a mente para não se encantar,

Aquela feiticeira poderia seu coração roubar?


Tic-Tac. Seu relógio de pulso esquecido,

Quanto tempo perdido?

Três doses, doze músicas, milhões de batidas no coração.

Parecia que ela tentara ganhar sua paixão.

Uma piscada, dois sorrisos, quatro encaradas,

Cinco suspiros, seis arrepios, sete beliscadas,

Que dava em si mesma para acordar.

Não podia se entregar.


Não.

Sim.

Não.

Sim.

Sim?


O fim do show veio a chegar,

Lentamente, para ela não notar.

Pagou a conta, saiu do bar,

Alguém veio se aproximar.

Marceline, a mulher que a fez bambear.

Começou a fumar e conversar,

Cada vez lhe tirando mais o ar.

-E tirando-me a sílaba que me fez rimar-

Ar.

Bar.


A conversa durou mais que as músicas,

Mas não serei eu que transcreverei coisas tão únicas.

O segredo é delas, e permanecerá assim,

Foram palavras soltas, sem vergonha e gentis, confie em mim.


E a noite ainda não acabou, nem os dias e estações,

Pois elas continuaram conversando em diversas ocasiões.

Eram da mesma faculdade, tinham a mesma idade,

Sonhavam com uma vida em liberdade.

Falavam sobre música, fores, cores, filosofia,

Obras de arte, gastronomia, astronomia, feitiçaria,

Principalmente pela magia que Marcline lançara sobre Bonnie e nunca se desfez.

Cada dia, cada hora, a amava outra vez.


Suas mãos se apertaram, seus lábios se tocaram, suas línguas dançaram.

E, desde aquele dia, nunca mais se separam.

Marcy e Bonnie foram do bar ao altar,

E, até hoje, continuam a se amar.

É o final da história que vim te contar,

Um conto tão fofo, que me devolveu o ar

E a sílaba que me faz rimar.

Ar.

Bar.

BarWhere stories live. Discover now