Breu,
tento encontrar uma luz
mas até a lua se esqueceu de sair,
barulhos estranhos
respiram mais à frente,
a tatuagem florescente
da bruxa boa convida
uma chama para dançar,
é a rajada de vento norte
que liberta o encantamento,
estou descalço, sem camisa,
escolhi este atalho tosco,
rústico, empedrado,
cheio de morcegos,
cobras, e ratas peludas
porque conheço de olhos fechados a zona onde cresci para o mundo,
falo por momentos com uma árvore velha
que me enxota como se fosse uma folha seca de outra estação,
tinha tantas ideias para organizar
acabei por ficar ausente,
uma gata vadia solta um choro lancinante
não quero ficar esquentado
viro a cara ao lado,
finjo que nem vi
entro novamente no carreiro,
uma força motriz contínua
impele a continuar,
um Serafim perdido
pede-me um cigarro, uma moeda,
tudo que tiver nos bolsos
para pagar a portagem
do caminho de cabras.
Disse-lhe oh Fim
devias ter vergonha
roubar um gajo descalço.
Disse que estava na brincadeira
sacou um cartão de supermercado
sacudiu o pó
e convidou para jantar um fantasma
que estava à sua espera.
Se tivesse um Ferrari
não saía daqui vivo,
nem parava junto ao rio,
nem usava cuecas,
metia a primeira arrancava raizeiros
depois contava buracos,
alguém saltou da ponte por 30 cêntimos,
pensamos todos que fosse um peixe voador.
Todos quem?
O que estás para aí a falar?
De olhos bem abertos
não se conseguia ver nada.
Breu.
BINABASA MO ANG
Crisálida
PoetryMuito mais do que parece, muito menos do que podia ser. Crisálida, o tempo que for necessário. Capa feita por: GiovanniTurim
