há e não há destino.

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junto do balançar do vagão
ranger das rodas no falho trilho
abrir, fechar, sinos e o bufo da máquina
falso calor e, assim, falso aconchego
os que aqui já estiveram
encaravam, como eu, o condensar
a neve e, no topo e em todo resto,
a escuridão
que toma, agressivamente, os assentos
e os corredores

estes,
em sua quase totalidade, vazios
sem pesos de malas de mão e agasalhos
com tão só passageiro, nos fazendo dois
levando-a quietos

estou perdendo a sensibilidade
o senso do deixar seguir, largar de apenas
fitar, com remorso, os cristais
já que, ao puxar e soltar, tentando deitar
abraçado pelo aparente veludo, curto
continuo desconexo da bota a pingar, do guarda-chuva perdido e do homem encharcado
distante, entretido no jornal

ganho como nada uma enorme confusão
de esquecer de lembrar,
pois ficou no bolso da calça que está a lavar
os modos de um cavalheiro,
me restando a secreta beleza
do dom de observar

não resisto em imaginar
caso descesse ao meio da tempestade,
teria um novo gorro
e, de marrom, tornaria a jaqueta branca
marcaria a neblina com uma velha silhueta
a neve com desatualizados caminhares
porém, formaria o que sobra, ao lacrimejar,
um cansado boneco de neve
ressurgindo sonhos chutados e sujos
da criança que, aqui, tenta sobreviver

pelos alto-falantes, um chiado rítmico instrumental, saio do transe
enquanto prende o chapéu a frente dos olhos, descansa as folhas no colo
e adormece, espairecendo parte de si do que sou capaz de assistir,
alongado nos descansos de braço
me trazendo a dúvida, também exausta, arrastada no carpete
o que faria um tão fino senhor,
dentro do exato mesmo caixote,
encostando na minha exata diagonal,
viajando, neste dia e neste instante?

com essa sequência de eventos
sou, assim,
obrigado a mergulhar na coloração,
mais funda que o oceano, dos tímidos céus
que surpreendem em cada padrão prateado
estes que, precisamente,
se comprimem na vasta paisagem de morros
e depressões
ou tropeçam nas paredes
se unindo, intrinsecamente, ao gélido rodar

quando demais esbarram, o trem soluça
me força minimamente ao vidro
e derruba os papéis do jornal,
sem te acordar











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