Não me sinto bem.

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Por que é tão difícil as coisas darem certo para mim? Não me sinto bem em hipótese nenhuma, sempre me pergunto, porque existem uns feios e outros bonitos? Será que Deus gosta mais deles do que de nós? Qual a necessidade de fazer uns quase perfeitos e outros deixar de escanteio? Não merecemos viver felizes também? Acordo com esse pensamento como sempre, todas as manhãs, essa é a minha reflexão, tantos por quês, quero muito saber!

Eu sempre me perco em pensamentos, se fosse só isso que me preocupa, mas não, tenho que me preocupar com aparência, contas, pessoas idiotas, e milhares de outros problemas que me deixam super mal.

No trabalho sempre esqueço as coisas e acabo levando reclamação, sinto-me cansada direto, não sou feliz, sempre rio muito, isso faz com que as pessoas tenham uma ideia errada sobre mim, eu gosto de rir, porque para mim quase tudo é engraçado, mas não quer dizer que eu sou 'muito' feliz, fora as vezes que tenho que fingir estar bem, e quando eu estou mal ninguém percebe.

Em casa eu estava refletindo esses dias, e me recordei da minha infância, lembro como eu realmente era feliz, me questionei, "como eu mudei e nem percebi? quando fiquei infeliz e nem senti? Como fiquei assim e ninguém percebeu?"

Mas acho engraçado que minha família nota a vida drástica que outras pessoas tem, mas não nota nada relacionado a mim, mas pouco me importa, isso realmente não dói, talvez doesse se eu tivesse acostumada a ser notada, mas não estou.

E outra coisa que penso muito, eu nunca namorei com ninguém, e não tem nada a ver com a minha aparência, porque tem muita gente pior que eu que tem uma vida feliz, então eu nem penso que é por isso, mas o por quê então?

- Aff, tudo bem. Tenho que me arrumar, mais um dia que eu terei que enfrentar.

Gosto de arrumar meu cabelo, tem que ficar sempre solto para esconder as marcas do meu rosto, me sinto feia de todas as formas, ameniza quando eu estou de cabelo solto.

Se eu fosse me abrir para alguém, coisa que eu não consigo fazer, mas eu penso muito nisso, já até sei o que falariam;

"Deus te fez assim, vc é linda do jeito que é, tem que se aceitar e blá blá blá".

Não gosto e pronto.

Quem fala são os que vivem bem, sem esses problemas, duvido que se tivessem eles estariam fazendo o que mandam os outros fazerem. Rai ai, sai pra lá com esses conselhos idiotas, óbvio que sei que Deus me ama, mesmo ficando triste por ser assim, mas ok, isso eu sei, mas não tem como eu me aceitar, não consigo, e não quero.

- Ane, vem! - grita minha colega de trabalho, com um aceno super exagerado no refeitório do serviço. Reviro os olhos internamente e sorrio.

- Oi amore, bom dia. - digo me sentando ao seu lado, pegando uma maçã em cima da mesa para eu comer, antes de iniciar os trabalhos.

Tá, não sou tão infeliz assim, só nos momentos em que me olho no espelho, por isso que nem gosto, quando vejo um espelho passo rapidamente em frente a ele e nem o encaro, ele é mal comigo.

Tem dias que eu acordo e me sinto bonita, nesses dias tenho coragem de me olhar.

- Como foi a folga? - pergunta Janie sacolejando meu ombro levemente, ela é assim, pra falar qualquer coisa ela tem que pegar ou bater na gente.

- Nada de interessante. - falo apoiando minha cabeça em minhas mãos.

- hum, que tal a gente sair? Seria legal, não acha? - pergunta ela bem animada.

Não sinto vontade de sair, sei lá.

- Não tô a fim. Vou estar ocupada. - digo desanimada.

Diferente de mim, ela não precisa se preocupar com a aparência. Ela não é linda, é bonita, mas o rosto dela não é como o meu, isso já a torna mais bonita, se estivessemos eu e ela, para algum rapaz escolher, duvido que me escolheriam.

Suspiro pensativa. Talvez seja bom eu sair, não posso ficar presa, me escondendo só por causa de umas manchinhas e umas gordurinhas localizadas.

- Por favor, vamos, vai ser bom para a gente, conversar com vários gatinhos e se pá, rolar algo mais em!? - ela levanta as sobrancelhas e abaixa rapidamente, mostrando animação.

- Ok - digo. - vamos trabalhar, anda. - falo empurrando levemente o seu ombro.

- Tá, a gente vai amanhã e depois, já que estamos de folga. Vai para a faculdade hoje?

- Óbvio - digo enquanto caminho para o lugar onde troco de roupa.

- também vou, Derick aquele bonitão da sala está a fim de me comer, não acha? - reviro os olhos e dou às costas para ela, sem noção. - Ele me mandou umas fotinhas, depois vou ir na casa dele, e sabe o que mais? Luiz tá a fim de você, ele é amigo do Derick, ele é aquele que...

- Tá eu já sei quem ele é, tanto faz se ele está ou não, não vamos ter nada, não tô a fim. - saio e deixo ela sozinha.

O dia hoje foi super cansativo, clientes me elogiando de todas as formas, mesmo assim não consigo me achar bonita. Peso 67 e não consigo me achar magra, nada está bom para mim.

Suspiro exausta, quero ir embora. Subo para o andar de cima e pego minhas coisas, antes de sair ouço um barulho estranho da última sala, fico curiosa e vou ver o que é.

Parece barulhos de beijos, será que?
Aí meu Deus, era só o que me faltava, será que tem como eu ver quem é sem ser notada? Sorrio imaginando quem poderia ser, amo fazer coisas escondida, me sinto elétrica, vontade de rir a beça.

Abro a porta devagarinho.

Vejo Janie e o supervisor.

Reviro os olhos, já era de se esperar, vou gravar eles, vai que eu preciso futuramente.

A não que maldade...

Foda-se. Pego meu celular e os gravo.

Saio em silêncio, mais a frente bato meu ponto e vou correndo para casa, soltando altas gargalhadas pelo caminho, não sei porque sou tão besta. Sério.

Faço beckup do vídeo e excluo do dispositivo.

Pronto.
Porque choras Janie?
Rio altamente.

Parece até que sou má, credo, não sou. Mas sabe-se lá, vai que eu precise?

Uma Nova MulherWhere stories live. Discover now