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exausta. este é o estado em que, ultimamente, me encontro, tanto física quanto psicologicamente, — talvez seja mais para o lado psicológico —. se a jorja de quatro anos atrás conhecesse a jorja de hoje em dia, talvez ela não a reconheceria. uma garota tão amável, doce, alegre, tornou-se o completo oposto da pequena jorja de doze anos.

estou exausta demais para estudar, estou exausta demais para caminhar, para ler um livro, para sair com os amigos, para assistir uma série na netflix, estou exausta demais para mudar este meu comportamento de merda. o vazio que habita em mim alastra-se mais a cada dia de minha vida.

estou exausta de usar uma máscara para esconder o caos que me encontro internamente, que me sufoca e me queima de uma maneira torturante e lenta até não restar mais nada, nenhum grão sequer.

aliás, esqueci de mencionar. em 25 de junho deste ano ou algo assim, completam-se dois anos desde que me entreguei a depressão. dois anos desde que comecei a chorar descontroladamente, pedindo socorro. dois anos desde que tenho crises de ansiedade, dois anos desde que tentei cometer meu primeiro suicídio e dois anos desde que convivo com os demônios que esse monstro me enviou.

ela é o vazio que consome meus dias um por um, é o lençol de uma tonelada que me impede de levantar, é a minha alma excruciando. é o que destrói meu presente, uma verdadeira guerra espiritual. é o isolamento involuntário, é não sentir nada ao ponto de desejar sentir qualquer coisa. são muitas palavras para uma só bula de remédio. é definhar-se em pensamentos mortos.

a depressão é um monstro que te corrompe até você não aguentar mais.

estou completamente perdida. não sei para onde vou, o que deveria fazer, se eu deveria fazer. enquanto meu coração suplica por ajuda, minha mente, — agora, tornou-se irracional —, me implora para exterminar esta dor intensamente insuportável, da pior maneira possível.

algumas das poucas vezes que paro para pensar na razão da minha existência neste país de merda, percebo que não tenho utilidade nenhuma. até para cozinhar um miojo, eu não presto haha.

quem me dera nunca ter nascido. dessa forma, pelo menos não precisaria tomar decisões tão complicadas, como escolher se devo continuar ou não. se quero continuar ou não.

e para a sua informação eu estou, infelizmente, quase cedendo ao não outra vez.

carta aberta. Where stories live. Discover now