Bernardo era sonâmbulo.
A mãe de Bernardo já havia se acostumado, e buscava tomar alguns devidos cuidados com o que ficava espalhado pelo ambiente.
O garoto de 8 anos sempre acordava no meio da noite e amanhecia em algum outro cômodo da casa.
Um certo dia, a mãe do jovem rapaz teve que viajar para visitar a família de uma querida amiga que tinha acabado de falecer e deixou Bernardo com a sua avó.
— Vovó Tânia, eu quero assistir algum filme... — Disse o pequeno Bernardo, com o típico olhar de "cachorrinho que caiu da mudança".
— Bernadinho, meu querido, vá dormir. — Sua vovó lhe deu um beijinho de boa noite e o cobriu com o cobertor. — Amanhã você assiste algo, está bem? Mas agora, descanse.
Cabum!⚡
Bernardo acordou, e ele já não estava mais na casa da sua avó.
O menino olhou ao redor e viu uma cachoeira com água lilás.
Espera, ela mudou de cor!
Agora estava rosa.
Foi escurecendo.
Voltou ao roxo, e rosa novamente.
Sim, uma cachoeira degradê.
Também haviam plantas bonitas; também degradê, mas diferente da cachoeira, as cores do restante das coisas permaneciam no lugar. — Ora, imagina que pesadelo seria viver em um lugar em que as cores não param? Para tudo há um limite.
O lugar era lindo! Ele brilhava e o chão era extremanente macio. — Chegando ao ponto de ser como um trampolim para aqueles que pulassem sobre ele.
Bernardo continou olhando ao redor e notou "pequenas criaturinhas" trabalhando, de forma unida, semelhantes às formigas.
De repente, as criaturinhas fizeram cara feia, largaram os objetos que carregavam e começaram a irem todas em direção ao rapaz.
De longe, Bernardo notou algumas casinhas tendo as suas janelas abertas; os cidadãos (semelhantes às criaturinhas) olhavam de forma triste, e alguns mandavam Bernardo correr.
O rapaz correu, correu, e correu...
Até passar por algo que parecia um pântano.
Ao atravessar, o menino viu um coração gigante e brilhante fixado em uma pedra.
Algumas criaturas tentavam de tudo para parar o rapaz... De acordo com as suas limitações, claro (utilizaram cogumelos e pedrinhas...).
Bernardo colocou a mão em seu bolso e tirou um papel.
O rapaz seguiu as instruções, pegou algo do chão e cravou no coração; que se quebrou imediatamente em diversos pedaços de diamantes.
As criaturinhas pararam de perseguir ele e começaram a derreter, virando calda doce de abóbora.
Todos os cidadãos restantes saíram de suas casas, felizes e comemorando.
Um senhorzinho se aproximou de Bernardo, tirou uma corda de seu bolso, se abaixou, pegou um fragmento de - agora - diamante e fez um colar para o rapaz, que se abaixou e o recebeu com muita alegria!
— Eu não entendo, como vocês não conseguiram derrotar aquelas coisas? Foi tão... Rápido.
— Ó, meu herói, como podes ver, todos nós somos idênticos a eles! Idênticos em tudo! Não somos mais fortes do que aqueles... — O senhorzinho pensou antes de falar. — Traidores, está no sangue de seus antepassados e sempre estará no sangue deles e de seus descendentes! Estávamos aguardando o herói da nossa profecia, no caso, você!
O jovem rapaz estava radiante, era como se o colar tivesse mudado algo nele. Havia um brilho de herói no olhar do rapaz, um brilho inexplicável.
⚡
— Acorda, meu fih! O café tá na mesa.
Bernardo acordou confuso com a sua vó lhe chamando.
O menino havia ido dormir na cama e acordou no sofá.
Oxi? — Bernardo pensava consigo mesmo. — Não! Não foi! Não pode...
O menino pôs a mão no bolso com esperança de encontrar o papel, mas nada.
Ele passou o restante do dia refletindo sobre tudo o que ele havia vivido e aprendido naquele lugar mágico.
Sonho ou não, foi inesquecível.
23 anos depois...
Certo dia, Bernardo resolveu usar alguns dos seus dias de folga para visitar a sua avó.
Papo vai, papo vem.
Até que ele decide ir ao quintal, para dar uma volta. — Relembrar os velhos tempos.
De longe, ele notou algo brilhante.
Bernardo pegou e era um lindo colar de diamante.
De repente, ele se viu transportado para aquele mesmo mundinho de antes.
— Eu sabia! Sempre foi real! — Pensou consigo mesmo.
Todas as criaturas se ajoelharam diante dele.
Mas no fundo, bem no fundo... Bernardo sabia que ele estava cercado de traidores.
•💎•
Fim.
