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Capítulo 1

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Estânvia (1840)

Depois da morte precoce da minha mãe, o meu pai acabou se tornado uma sombra do homem que havia sido um dia, estava afogado em dívidas e na depressão profunda.

Antes éramos uma família de renome, mas o meu pai perdeu a maioria dos nossos bens em apostas e bebidas, mal tínhamos um teto sobre a nossa cabeça, a situação estava a cada dia mais lastimável.

Eu e as minhas irmãs, a impaciente Ofélia de dezesseis anos e a doce Camélia de catorze, estávamos quase sem esperanças, logo não seriamos capaz de manter um único criado na nossa propriedade.

_ Nossa mãe se reviraria no túmulo se pudesse ver a situação que nos encontramos!_ Disse Ofélia de maneira sarcástica.

_ O pai arruinou-nos, a Madeline já deveria ter sido apresentada para a sociedade, fez dezoito anos a um mês, precisa arranjar um bom casamento._ Disse Camélia enquanto escovava os seus lindos cabelos ruivos.

_ Ele nem ousaria Camélia, toda a cidade está ciente da nossa situação, acabaremos nos tornando criadas, infelizmente esse destino se aproxima a cada dia._ Falei de maneira apreensiva.

O nosso pai estava escutando toda a nossa conversa atrás da porta e entrou furioso, nos lançou um olhar de desaprovação e começou à falar.

_ Como ousam insinuar que eu as abandonei, confesso que a minha a situação é lastimável, a Clarissa levou metade do que eu era junto dela, mas ainda busco o melhor para minhas filhas, inclusive o casamento da Madeline já está arranjado!_ Virou-se para mim._ Penso que o momento é adequado para comunicar isso para todas vocês, ele é um duque e chegará em alguns meses para buscá-la.

Olhei para o meu pai incrédula, não sabia que tal coisa foi planejado sem o meu conhecimento, faltaram-me palavras e a única atitude que tive foi correr até o bosque que ficava atrás da nossa casa.

Quando estava mais calma, resolvi voltar e encher o meu pai de perguntas, estava assustada, porém, bastante curiosa, quando entrei no seu escritório ele segurava uma taça de vinho e já estava levemente bêbado.

_O senhor pretendia contar-me sobre o meu suposto noivo apenas no dia em que ele viesse buscar-me?_ Questionei.

_ Eu já lhe contei, não é mesmo, não entendo o motivo de tamanha chateação._ Desdenhou.

_ Eu queria casar-me por amor, não ser utilizada como uma moeda de compra!

_ Amor?_ Gargalhou ironicamente_ Um dia irá agradecer-me, o amor só irá destruir-lhe, você se casará e vai acabar se acostumando com ele, a sua função é dar-lhe filhos, nada além disso.

_ O senhor desdenha do amor, parece até que esqueceu o quão incrível ele é, ainda consigo recordar do amor que existia entre o senhor e a minha mãe!

_ Já basta!_ Bateu sobre a sua escrivaninha_ Você se casará quer queira, quer não!

Retirei-me furiosa, mas já estava conformada com o meu destino, o que eu poderia fazer afinal, isso era melhor que acabar na sarjeta, um bom prospeto para mim, significava bons casamentos para as minhas irmãs quando elas chegassem na idade adequada.

Algumas semanas haviam se passado e ao amanhecer recebemos uma terrível notícia, o nosso pai havia sido encontrado sem vida no seu escritório, o médico da família constatou que o excesso de álcool havia ceifado a sua vida.

O senhor Bartolomeu que era um dos responsáveis por administrar os bens da nossa família recomendou que a propriedade fosse vendida e o dinheiro repartido entre mim e as minhas irmãs, esse seria o nosso dote.

A única familiar que tínhamos era a irmã mais nova da minha mãe, a nossa tia Augusta, nunca havíamos a conhecido, as duas não se davam bem, a minha mãe a descrevia como uma mulher fria, ambiciosa e muito invejosa.

Deixamos a nossa casa e partimos para outra cidade, a viagem demorou em torno de um dia, estávamos exaustas e de luto, não trocamos três palavras a viagem inteira, isso era algo raro, afinal, as minhas irmãs sempre foram tagarelas.

Chegamos na propriedade da nossa tia e fomos recebidas por ela e a sua filha, a menina aparentava ter a mesma idade da minha irmã Camélia, também pude notar de onde a Ofélia havia herdado o tom dos seus cabelos, pois os da minha tia eram longos e loiros.

A expressão dela e da sua filha eram parecidas, ambas tinham um olhar sombrio e o rosto era quase inexpressivo, o clima estava tenso, porém, logo ela quebrou o silêncio.

_ Sejam bem-vindas minhas sobrinhas, espero que tenham feito uma boa viagem.

_ Foi tanto exaustivo, mas fico contente que já acabou_ Respondi.

_ Vou mostrar o quarto em que as senhoritas iram se acomodar._ Andou e nós a seguimos.

A casa dela era grande e muito elegante, era um pouco parecida com a minha antiga casa, era apenas um pouco mais modesta.

Quando ela apresentou os nossos aposentos ficamos incrédulas, era um minicômodo, mal cabia as três camas, era extremamente apertado e mal entrava luz solar, os quartos dos nossos antigos criados eram incomparavelmente mais elegantes e espaçosos, a minha mãe fazia questão que todos ficassem confortáveis.

Eu estava em choque e as minhas irmãs também, nos entre olhamos espantadas, um pensamento sombrio começou a tomar conta da minha mente, provavelmente iríamos pagar um preço por esse teto nas nossas cabeças.

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⏰ Last updated: Nov 04, 2022 ⏰

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