Descoberta

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          "Nessa história existem duas notícias ruins. Uma das é que notícias ruins voam rápido. E a outra é que o protagonista é o piloto incapaz de fazer com que sua história tenha um final feliz".

Por Agnes Samyle








Viver de verdade é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existem.

- Doutor, por que me chamou aqui? Achei que eu não precisava mais comparecer.

- Sim, deixei você ir para casa e apenas lhe mandei tomar os remédios, seguindo o cronograma, sem precisar voltar ao hospital. Mas não porque você está melhor ou curado do câncer...

- O que foi que houve?

Eu estou assustado, sabia que o que viria a seguir não seria nada de bom.

- Sinto muito lhe informar, você está em fase terminal, Jonathan.

O médico me encara com uma certa tristeza no olhar. Eu odeio que sintam pena de mim.

Mas, da mesma forma que o médico está triste por mim, parece que ele não está. Que sente muito, e que não sente nada. É notável que ele já esteve nessa mesma situação antes, que aquilo para ele é... comum.

E isso faz eu me sentir o mais normal possível.

- Quanto tempo eu tenho? - perguntei sem emoção.

- Creio que aproximadamente dois ou três meses. Não é nada certo.

Não vou mentir, não é novidade. Eu já sentia isso, porém, ainda me dói. Saber que a morte está perto não deveria ser algo agradável. Não é? Mas apesar de tudo, eu tenho que enfrentar os fatos e agir com maturidade e força. Mesmo que me falte as duas coisas.

- Eu tomei liberdade e contei para seus pais. Mesmo você sendo maior de idade. Fiz isso porque acho que seria o melhor para você, espero que eu tenha ajudado. Imaginei que seria difícil para você contar para eles. Seus pais ficaram muito abalados com a notícia - ele fez uma pausa e olhou para mim - Eles realmente te amam muito - concluiu.

Eu sei disso. Pode soar estranho, mas, assim como a Hannah e o Alex, que são os meus melhores amigos, meus pais também são. Eu tenho uma relação ótima com eles. Claro, não é perfeito. Mas é algo saudável. E eu sei que o que quer que aconteça eles sempre vão estar ao meu lado.

Para falar a verdade, eu acho que eles devem estar sofrendo mais que eu.

Mas, tinha algo que me incomodava mais que tudo, como eu iria contar para Hannah... Como eu vou contar para o Alex?

- Bom, então? Eu vou para casa? - Senti-me estupido perguntando isso. Eu vou morrer estando ou não no hospital. De uma forma ou de outra eu vou morrer.

Não me entenda mal. Eu sei que todos morrem. Isso é fato. Mas, eu tenho certeza que vou morrer e tenho que viver para o resto da minha vida, que, aparentemente, não será muito longa, com algo no meu cérebro como se eu tivesse que aproveitar cada segundo que se passa.

Amanhã, por exemplo, não será um dia a mais para mim, será um dia a menos.

Mas, afinal, a medida que reconhecemos a efemeridade da vida, percebemos a importância de preenchê-la com significado, propósito e experiências que transcendam a mera contagem dos dias.

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