Havia paz pelo mundo, pelo menos não há mais a sombra de Alzhadoom presente para espreitar, era tido como o maior período de paz entre os homens.
Porém a natureza humana não é extremamente pacifista, a dualidade entre a paz e o caôs andam de mãos dadas pela imutável natureza dos mortais. Reinos surgiram, impérios caíram e foi assim por mais de cinco mil quinhentos e dezessete anos no calendário dos homens.
Foi nessa época que se conta a Wildervall a era de paz que entendeu a IV Era que viria, talvez um bom ponto de partida fosse a grande cidade de Bérgamo a qual foi uma das mais arrasadas durante a Guerra que resultou na queda do antagonista citado anteriormente...
*
Andando pelas sombras estava a se esgueirar dois seres trajados com mantos grosseiros de cores escuras, seus rostos cobertos de mesmos tecidos dificultava seu reconhecimento, não tinham armaduras ou brasões, levavam apenas suas adagas curvadas e ganchos para escalarem a Torre Leste que era onde dava acesso a sede e aos aposentos do monarca de Bérgamo. Pela janela mesmo alta dava para notar que havia uma luz acesa, talvez alguns últimos decretos a serem assinados. Não importa, os dois homens tinham um foco e estavam prestes a realizar custe o que custasse e assim começaram a escalar as pedras da torre. Parecia que nem a a lua estava a querer aparecer direito, a noite estava favorável para atos ocultos entre eles o assassinato, lentamente os homens misteriosos foram escalando e escalando... Até finalmente chegarem dentro da torre, em um único movimento eles adentram com suas adagas em mãos e com seus passos sorrateiros como um felino a espreitar a caça eles começaram a ir em direção do leito do rei.
Os homens não usavam calçados, para serem o mais silenciosos que pudessem ser, eram mestres na arte de assassinato furtivos, com a guarda alta e atentos aos mínimos detalhes estavam, os dois já estavam bem perto da cama e com um rápidos golpes eles atacam... Um líquido rubro começa a emanar dos lençóis de ceda e um murmuro de dor vinha debaixo das cobertas, como se o ser tentasse bradar e não conseguisse, levemente ele vai deixando de se mover... Está feito, o serviço foi concluído.
Um dos assassinos retira a coberta para conferir e se depara com uma mulher com boca costurada e sem os braços estava na cama do rei. Ele se assusta olha para trás e não vê seu companheiro, o homem tenta sair pela janela mais é agarrado por um ser ágio que o enrola imobilizando por completo, nesse momento o rei Ohrun adentra seu aposento com seu principal conselheiro chefe da guarda real Aqin.
_Foi como falei. -disse o monarca-. Minha intuição estava certa Aqin.
_Tenho que concordar Ohrun, você continua a mesma raposa do deserto de outrora.
Ohrun era alto, com a pela da cor do bronze, dava para ver que não era tão novo porém sua figura altiva, imponente era capaz de mesclar temor, respeito, graça e até sedução em certo ponto. Sua barba totalmente grisalha lhe cobria até a altura do pescoço porém seus cabelos eram negros, com exceção de partes da raiz que já começavam a ficam acinzentadas. Era um ser forte e ameaçador.
_Diga-me quem o mandou?. Disse ele descobrindo o rosto de seu algoz._Ora ora... Não me surpreenderia que não mandassem Sombras para tentar darem cabo de mim.- Os Sombras eram uma organização de assassinos que vinham de além do deserto de Kahji, no passado lutaram no exército Alzhadoom como espiões e assassinos, alguns Sombras tinham suas línguas cortadas em alguns missões para não revelarem informações, eram geralmente missões descartáveis.
_Acho que ele não irá falar nada. Disse Aqin cobrindo o corpo da mulher que havia sido morta.
_Ha maneiras de fazer ele falar, a menos que ele queira ser devorado pela Serpente. Ohrun aperta o pescoço do assassino, porém logo o solta dizendo: "Levem ele para interrogatório e não polpem sofrimento para conseguir algo".
O assassino em um último ato crava uma lâmina oculta na escama da grande serpente que o prende, o animal acaba afrouxando seu aperto dando espaço para ele escapar e desferir um último golpe contra o rei que habilmente com sua espada média a estoca no pescoço do homem que continua a deslizar tentando acerta-lo, o rei o empurra contra a parede cravando a ponta de sua espada na outra extremidade prendendo o assassino nela que aos poucos vai se esvaindo.
_Agora que não saberemos de mais nada. Disse Aqin suspirando com um ar de reprovação
_E mesmo com vida não saberíamos de nada Aqin, vamos
_E essa bagunça Ohrun?
_Deixe que a Serpente pegue seu espolio, depois chame as arrumadeiras para darem um jeito aqui. Falou o poderoso Senhor de Bérgamo saindo da torre.
Aqin o segue, antes de fechar a porta ele vê a grande Serpente a engolir o corpo da mulher muda que foi a isca para os assassinos caírem na armadilha: "Essa serpente me dá calafrios..." Pensou ele. A Serpente engole a o corpo da mulher e o encara friamente quase que como pudesse ler os pensamentos dele, dava para ver que ambos não se gostavam. Aqin fecha a porta e vai seguindo o rei Ohrun.
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Wildervall
FantasyA muitas eras houve um tempo em que as lendas e os mitos ainda caminhavam entre nós. Foi a época da Terceira Era transcrita em Wildervall
