Num jardim de lírios azuis,
Numa noite estrelada,
Eu vejo uma estátua dourada.
Deitada de bruços
Ela se encontrava,
Vísceras transbordavam de suas costas nuas,
Não lhe sobrando nada além de lagrimas,
Lagrimas tão cristalinas,
Lentamente perdem-no caos carmesim.
Eu me aproximo ,
Ela chama meu nome,
Seu rosto de porcelana inexpressivo,
Mostra uma sutil sugestão de desespero.
Eu toco sua mão,
Estava fria,
Extintivamente me afasto
Ela olha pra mim,
Com seus lindos olhos dourados
Me sinto perdida naquele olhar sem vida
Como se estivesse paralisada,
Meus pés fundidos ao chão.
Então ela se levanta,
O sangue ainda escorre,
Percorrendo seu corpo
Passando por suas pernas,
E enfim
tocando a grama verde.
Apenas o silencio pode ser ouvido,
Ela chama meu nome,
Vindo em minha direção,
Seus passos firmes,
Me pergunto;
Oh, ela não sentia dor?
Penso tolamente.
Lagrimas ainda escorriam de seus preciosos olhos,
Que visão bela,
A mais bela que já vi,
Estou com medo,
Mas não posso evitar um desejo inocente,
Queria sentir o frio de suas mãos novamente.
Ela continua vindo,
Lento mais constante,
E então com uma voz rouca, quase inaudível,
Ela diz, me ajude!
Aquela voz...
Tudo era belo,
Uma beleza sangrenta e desesperada,
A estatua para,
E então cai,
Seus olhos já sem vida,
Agora mortos por completo,
Deixam uma ultima lagrima,
acompanhada de um ultimo suspiro .
E então,
finalmente, finalmente,
Acordo do meu torpor.
Corro em sua direção,
Quero alcança-la,
Mas não importa o quanto eu corra,
Nunca consigo chegar ate ela.
Mais uma vez acordo,
De meu recorrente sonho;
Sonho?
Pesadelo.
Minha mente confusa,
Não mascara minha tristeza.
Não era real,
ela não era real,
por que ?
porque eu?
Todo esse sofrimento,
Eu não consigo entender ,
Eu te peço ,
Não venha mais,
Ou eu não conseguirei te deixar ir,
Minha bela,
Minha mente não passa de uma bagunça,
Perguntas sem repostas,
Medo, saudade ,paixão?
Não ,como eu poderia te amar?
Isso não passa de uma pura e desesperadora obsessão,
Patético.
É sua culpa,
Me sinto péssima,
Mais ainda te espero,
Espero pelo dia em que poderei te abraçar,
Você esta tão ferida,
Lamentável,
A alma destruída,
Que clama pela redenção
Somos iguais.
