Pode parecer dramático eu começar a minha história com o dia mais triste da minha vida, mas acredito que uma boa história sempre deve começar a ser contada pelo início de uma nova fase, e o início da minha nova fase começa no meio de uma floresta escura e marcada pelos acontecimentos horríveis relacionados a minha família.
E é aqui onde a minha história, ou o que é importante se contar dela, se inicia.
Marie Jones
Abro os meus olhos e sinto uma dor extremamente forte na cabeça, minha visão está embaçada, meus olhos estão doendo, eu me inclino e vejo um corpo caído não muito longe de mim, mas próximo o bastante para eu perceber que era a minha avó. Me esforço para levantar até que consigo ficar de pé mesmo com um ferimento em um dos joelhos, ando mancando até minha avó e me ajoelho ao seu lado, coloco minha mão direita em seu rosto e percebo que a mesma estava completamente fria, já não era mais possível sentir o calor de seu corpo, meus olhos se enchem de lágrimas ao finalmente cair na realidade e perceber que minha avó estava morta.
—Vovó!—Um grito intenso sai de dentro de mim, começo a chorar e me debruço sobre seu corpo.
Eu me encontrava desesperada, chorando no meio daquela floresta, minha avó estava morta diante de mim, e cada vez que eu balançava seu corpo frio mais o meu desespero aumentava.
Os gemidos do meu choro em meio ao silêncio ensurdecedor da floresta era o único barulho que eu conseguia ouvir, até o momento em que ouço o som de galhos quebrando e vozes masculinas ao meu redor, no mesmo momento, coloco a mão na boca, abafando os gemidos e qualquer barulho que eu poderia fazer. Então levanto do chão e começo a andar bem devagar para a direção contrária as vozes, já sabendo do perigo que corria só de estar alí.
Na mesma manhã daquele mesmo dia, minha avó havia me falado que gostaria que eu viajasse com ela para a cidade da sua família, para que lá eu pudesse trabalhar junto dela e assim conseguir mais dinheiro, mas eu rejeitei a proposta, sem saber do real motivo pelo qual ela havia me chamado.
Estava a mais de alguns metros de distância do corpo da minha avó, andando bem devagar para não fazer barulho, mas sem sucesso, ouço uma voz grossa e alta.
—Alí!! alí está ela! a bruxa!!!— Fala um dos homens e eu não contenho minhas pernas, foi como se a voz dele tivesse ativado algo em minha mente, algo que eu poderia chamar de medo... desespero... pânico. Então começo a correr rápido na direção contrária, eu estava descalça, e os galhos quebravam abaixo de meus pés, me fazendo sentir uma dor horrível, mas algo dentro de mim não deixava com que eu parasse de correr, eu estava suportando a dor para fugir da morte.
Pouco tempo depois, eu consigo chegar a minha pequena casa no meio da floresta, onde eu vivia com a minha avó, paro em sua frente por um segundo, observo algumas macieiras que haviam ao redor dela, aprecio cada detalhe, desde as pequenas brechas em seu telhado, até as paredes de madeira um pouco maltratadas pelo tempo, era uma casa simples e pequena, mas confortável o bastante para nós duas, e também para o meu irmão.
Corro até a porta e entro rapido, logo a fecho novamente e começo a correr pela casa, apagando todas as velas, segundos depois, eu estava no meio da casa, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, ouvindo apenas o barulho terrível do silêncio, ando tocando nos objetos até a minha cama, me deito e olho para o telhado, onde havia uma pequena fresta, grande o bastante para enxergar a lua cheia, então me encolho na cama, fixando meus olhos na lua.
Horas tinham se passado e a angústia só ficava pior, eu sinto dor em meu peito, as lágrimas em meu rosto eram incontroláveis, caíam como se fosse um rio. A lua já não era mais visível na brecha do telhado, o brilho dela agora refletia na parede ao lado da minha cama, observo a forma que o brilho da lua formava na parede por alguns segundos, até que ouço um barulho alto vindo da porta, eram batidas.
Me levanto rápido da cama, então olho para a porta, ouço alguns sussurros que pareciam vir do outro lado, eram palavras estranhas, eu não entendia. vejo pelas brechas um reflexo de luzes azuis que entravam e ião iluminando cada canto da casa, meus olhos dessa vez, se encontravam arregalados, eu me viro para correr e fugir pela porta dos fundos, mas infelizmente não sou tão rápida, sinto um calor enorme em minhas costas e ouço um barulho alto e forte, tão alto quanto o silêncio, tão forte quanto o meu medo, neste momento, sou jogada com força na parede e caio no chão sentindo uma dor forte na cabeça, eu não conseguia ouvir nada, mas entre as piscadas que os meus olhos davam, eu consigo ver uma luz entrando pela porta, dessa vez era uma pequena vela na mão de alguém, alguém que eu não consigo distinguir quem é, e em questão de alguns segundos, este alguém estende a mão sobre mim e eu caio em um sono profundo.
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Lua De Prata
FantasíaEm um mundo cheio de seres míticos, criaturas sobrenaturais e pessoas cruéis, uma jovem bruxa machucada pelos traumas da época em que vive e em luto pela morte de sua avó, embarca em uma jornada rumo a descoberta do maior e mais sombrio segredo de t...
