Quinta-feira, 27 de julho.
Querido diário. Muito clichê. Querido Albert. Nossa, muito brega. Querido qualquer coisa (depois encontro um nome para você, eu prometo),
Eu sabia que não deveria ter ido. Sabia! Insisti em algo que eu queria, mas sabia que não deveria. Não deveria!
Estava eu, à meia noite, com um sapato de salto quebrado na mão, uma aflição de estar na rua sozinha àquela hora e uma vontade avassaladora de voltar no tempo. Eu precisava arranjar um táxi, se é que havia algum naquela cidade medíocre. Puxei o celular do bolso (por sorte eu estava de calça) e disquei o primeiro número que encontrei. Ninguém atendia. Eu olhava de um lado para outro. A cada minuto naquela rua escura e deserta, o meu medo aumentava. Temia ser assaltada ou coisa pior.
O segundo número também não atendia. Nem o terceiro. Eu estava ficando realmente desesperada. Resolvi ir caminhando. Coloquei o celular na bolsa, o sapato na mão e minha vida nos braços do acaso. Não podia ficar ali parada.
Minha casa ficava do outro lado da cidade. Andei o mais rápido que pude. Olhando apenas de relance para os lados, caso houvesse alguém me observando.
Não me virei, mas ouvi que um carro se aproximava, dei passagem, mas ele diminuiu a velocidade ao passo que eu aumentava o meu. Não ousava olhar para trás. Parecia que meu coração pularia pela boca, tamanho era meu medo e minha pressa.
O carro, depois percebi ser branco, parou um pouco à frente de mim. Eu não tinha saída. Vi minha vida inteira passar aos meus olhos. Como poderia eu, aos 25 anos, ser encontrada morta em uma vala nojenta de uma rua qualquer por um erro miserável de ter saído de casa naquela noite. Eu nunca me perdoaria. Se bem que não estaria mais viva para isso.
A porta do carro se abriu. Eu senti meu corpo todo tornar-se pedra. Não conseguia me mover. Estava em choque, com frio e com medo. Ali seria meu fim. Dali à uma semana, (caso eu tivesse a sorte de ser encontrada dentro de uma semana) as pessoas poderiam ver uma lápide no cemitério da cidade com os escritos:
Aqui jaz Olívia Almeiriana das Oliveiras.
Nascimento: 07/09/1998.
Falecimento: 18/07/2023.
Eternas saudades da nossa querida Livi.
A pessoa então pararia alguns segundos em frente à minha lápide e pensaria: como morreu jovem, tadinha. Tinha a vida inteira pela frente. Eu tinha mesmo...
Com esse pensamento, uma onda de lágrimas invadiu meus olhos. Eu soluçava. Não aceitava que eu teria vivido os 25 anos da minha vida de forma desgastante, para após um ano de fomada morrer por estupidez. Enquanto pensava entre soluços em o quão curta tinha sido minha vida, ouvi um gripo distante. Alguém chamava meu nome. Ou melhor, meu apelido.
-Livi! Sua louca! O frio afetou teu juízo também?
Era uma voz familiar. Demorei um tempo para assimilar seu dono. Era Ágatha, minha amiga.
-Você bebeu ou o que? Você nunca foi de encher a cara. E que peste tu estás fazendo à essa hora sozinha na rua com um sapato quebrado na mão???
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Querido Pete
ChickLitPense em uma jovem. Agora pense em uma vida comum. Um trabalho que ela adora, mas que toma muito de seu tempo. Agora pense em um rapaz. Calma, antes que você diga "nossa, nada original", te apresento também uma amiga super centrada e que sabe o que...
