Era noite de lua cheia. Resolvi acompanhar ela nascendo em frente ao mar. Ela estava grande, amarela e com um brilho imponente. Sentei na areia. Não com medo de me sujar, mas com vontade de sentir a areia úmida no meu quadril, nas minhas pernas. O vento não estava frio, era gostoso. Leve. Uma temperatura agradável. Eu respirava fundo, agraciada com aquela imagem fantástica e aquelas sensações por todo o meu corpo. Enterrei minhas mãos na areia e comecei a sentir, por entre os dedos, a areia passear e me envolver... Cada vez mais passava as mãos na areia. Até que outra mão encontrou a minha por debaixo da areia. Uma mão quente. Um corpo quente me apoiou. Senti nas costas Michael encostando em mim. Meu coração acelerou e ele falou no meu ouvido: não fala nada, só me sente. Eu reconheci a voz aveludada, que por tantas noites embalou as minhas madrugadas. Uma voz firme e suave. Que me fazia tremer o corpo. Ao mesmo tempo que Michael falava comigo, no meu ouvido: sente! Eu sentia as sua mãos passeando pelos meus braços, como uma esfoliação natural, até alcançar meu ombros. Michael sussurrou: esperei tanto tempo pra te conhecer, e agora, você de costas, sinto o cheiro do teu cabelo e parece que voltei pra casa. A minha respiração estava acelerada, meu corpo respondia a cada movimento das mãos dele. Seu toque nos meus braços me arrepiavam. No meu pescoço, senti sua barba roçar levemente. Tinha cheiro de árvore molhada, essa sensação intensa, que só me chamava pra mais perto dele. Com uma mão na nuca acariciando levemente meus cabelos e outra nas minhas coxas, apertando e dizendo: o que você quer? Eu já nem conseguia balbuciar qualquer palavra, apenas soltar minhas pernas que estavam entrelaçadas, como se desata um nó, para que o passeio daquelas mãos pudessem seguir, sem medo, sem empecilhos. Afinal, meu corpo já dizia que queria Michael desde às primeiras conversas ao telefone. Respondi num rompante: quer ir à lua! E ele, prontamente disse: vou te levar! Sua boca quente nesse instante encontrou a minha. Respiramos o ar um do outro. Sentimos o espaço curto entre nossos lábios. E nos beijamos. Era macio, quente e muito saboroso aquele movimento dos lábios e línguas totalmente coordenados e conectados. As mãos saíram da minha coxa e me acolheram o corpo, todo envolto já no corpo dele. Pausa. Pausa para ouvir Bee Gees: I believe in you
You know the door to my very soul
You're the light in my deepest, darkest hour
You're my saviour when I fall.
Inevitável olhar nos teus olhos e entender o sentido de conexão naquele instante. Só nos olhamos ao longo dessa música e soubemos ali, que liberdade era essa entrega despretensiosa dos nossos corpos encharcados de ternura e desejo. E de mãos.
