Agradeço por ter sorrido e eu chorado
por ter partido e nunca mais voltado
agradeço, obrigado
pelas pedras no caminho
pelos espinhos
pelas flores despedaçadas
pelos ciúmes e brigas disfarçadas
pelas noites frias de inverno
pelo tempo esperado
pelos amores mal resolvido
do passado
Pode ir se quiser
se for longe
não se esconde
se voltar
não precisa
se não fores pra ficar
pode ir
se ficares for
não estar
se amares for
a primeira vez
que seja amor
se amares por amar
sem ser amor
quem amou sem amar
que cure a dor
para amar quem amou
Se quiseres que eu fico
deixe-me ir
onde quer que eu vá
eu volto já
agora, se quiseres que eu vá
mande-me ir
para nunca mais voltar
Entre idas e vindas
sonhos e brigas
voltas e partidas
Estou entre a certeza e a dúvida
sobre o ficar e o partir
o chorar e o sorrir
Entre o sim e o não
eu vou convivendo
com essa indecisão
Hoje venho disposto
a provar o gosto
do desgosto
Estou entre o mel e o fel
o inferno e o céu
O sol e a chuva
o vinho e a uva
Entre a cruz e a espada
entre o tudo e o nada
a partida e a chegada
Entre o remédio e o veneno
estou entre o artifício e a lisura
o poder e a cura
A seta e a meta
a curva e a reta
A razão e a emoção
a flecha e o coração
o ódio e o perdão
A alegria e a dor
a paixão e o amor
o doce e o amargo
o futuro e o passado
Amor é dor que sentes
é tolice de si só
morte é o princípio da vida
Saudade que dói não é saudade
solidão que aperta o peito sem direito
vida que ensina, que abomina
mundo, grande mundo
ser é querer existir
alma vazia, alma despida
Sonho que sonho que é real
amigos são pedaços de caminho
pais que não são mais que seus filhos
Sociedade toma vergonha na cara
política sem vergonha maltrata a massa
erotismo quer deixar louca qualquer uma que tira a roupa
Natureza respira o ar que expiramos
a idade é o começo de tudo
juventude não é o fim da linha
Viagem longe
liberdade pouca é bobagem
literatura ama a rua
O desejo é a culpa
a noite, o dia
a tarde, o amanhecer
Seus olhos brilham
as folhas caem
e morrem de amor
No adeus alguém chorou
deixe ir quem quiser
a princesa ou o plebeu
Areia
pedra
cimento
Não
é
frágil
Nem
é
sincero
Não
tem
sentimento
Está
no
chão
Está
no
asfalto
Está
no
concreto
O Que
não
é Abstrato
É uma pedra
que não tem sentimento
um objeto vazio e inexistente
sua presença é alimentada pelo medo
vive por conta da angústia
caminha vagando sem direção
Quando encontra algo vazio
também não pode preencher
sente nada ou nada sente
Só quem sente é que quem ama
se engana que emana
cada semente que germina
na poesia de quem rima
Enquanto isso o mundo gira
como uma roda gigante
estar no alto é estar no chão
em instante
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Sobre flores e espinhos
PoesíaSobre flores e espinhos reúne poesias. O verso e o reverso, o encontro e a despedida, a chegada e a partida.
