eu lembro de quando consegui enxergar aquilo pela primeira vez, dois grandes astros negros e marcantes repousando sobre mim... ou era sobre outra pessoa? ou talvez não fosse nada? dias passaram e até hoje eu não sei o que era, o que significava, e porque aqueles grandes astros haviam me escolhido pra fixar e perder o tempo que eles mal tinham.
pouco a pouco eu tinha esquecido da promessa que eu nunca tinha feito, pouco a pouco eu fui esquecendo desse grande muro que prendia e separava a razão da emoção, e sempre alimentava a razão, porque a razão era mais bonita, porque a razão era menos dolorosa... e eu não sei como os dois grandes astros venceram a razão, a razão que na minha mente havia criado um abrigo, era forte, me impedia de sentir coisas intensas que as pessoas da minha idade sentiam, foram apenas esses astros que a mataram, esses astros que se transformaram em jeitos, um jeito especifico do dono desse astro, o jeito que se tranformou em falas, e depois em um universo, o dono dos astros que brilhava mais que eles mesmos.
e então eu me vi perdido, confuso, sentindo coisas ruins que viriam pela morte da razão, e em seu velório o amor chorava, ele sabia que a emoção não conseguiria viver sem a razão, pois a razão era cética e sabia que nunca nada daria certo pra mim, por qualquer motivo, porque não era pra ser, porque era eu.
porque sou eu?
e o amor chorava, e a emoção chorava, e a razão estava morta.
ela não iria retornar, e isso abriria espaço pros astros negros de um vasto universo. os astros negros que nunca revelavam suas verdadeiras intenções estavam livres pra me amar, e depois me odiar, ou nem chegar a me amar, e nem chegar a me odiar, e nem chegar a me querer na minha mais pura forma.
e então meu estômago virou um abrigo de lindas borboletas azuis que poderiam se juntar a razão se eu não fosse cuidadoso, enquanto minha mente se perguntava se isso poderia algum dia ser real, enquanto meu coração parecia pular de euforia a cada vez que os dois astros reposavam sobre mim, ou quando a mão do universo reposava sobre as minhas, apenas pra tira-la pouco depois e deixar minha mente mais confusa ainda sobre o que fizemos de errado dessa vez, ou quando o universo me abraçava por poucos segundos e eu desejava ficar ali pra sempre, mas eu nunca conseguia pedir por mais, porque ali era menos frio.
porque quem estava me abraçando era alguém em quem a minha emoção confiava e se sentia confortável ao mesmo tempo.
eu olhava o universo todo maldito dia através dos seus olhos, os dois astros negros me olhavam de volta e eu não sabia se eles gostavam de mim ou não, porque a razão tinha morrido, eu tinha apenas a emoção pra me guiar e fazer derramar rios pela imensidão e confusão disso, enquanto músicas com letras especificas passavam pela minha mente.
eu não lembro da ultima vez que a emoção viveu mais do que a razão, mas isso acontece nesse exato momento enquanto as pessoas vivem suas vidas sem saber nada sobre mim, são coisas que eu nunca vou sentir novamente porque o universo é um só, e esses dois astros, se forem embora, irão embora pra sempre.
e os astros negros foram um par de olhos escuros e marcantes.
e o universo vasto era a garota que possuía esses olhos...
30/03/2022
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eyes - um poema curto
Poetryum poema curto e não muito compreensivel sobre algo que eu nunca vou revelar
