Querido diário, hoje aconteceu o que eu mais esperava: ele me pediu em namoro! Junto ao pedido eu ganhei você, esse diário lindíssimo que vou usar para contar nossa história.
Meu nome é Linn, eu tenho 25 anos e moro em Nova York. Desde o ano passado trabalho em uma cafeteria no centro e também desde o ano passado conheço o B, esse homem elegante e misterioso que sempre foi freguês de lá.
Quando o vi pela primeira vez eu me assustei: um homem de terno, claramente bem de vida, com um pequeno caderno e uma caneta bonita comprou um café, puro e sem açúcar. Percebi pelas minhas colegas que ele era um cliente frequente e sempre pedia a mesma coisa, a agitação delas ao ver ele sentar exatamente no mesmo lugar e escrever exatamente do mesmo jeito era estranha, afinal era só mais do mesmo. Só então descobri que todas elas tentavam conquistá-lo, sem conseguir nem descobrir seu nome.
Assumo que tive curiosidade sobre ele que na maioria das vezes parecia nem notar o mundo ao seu redor, era só ele e sua caneta brilhante. Pensei por uns dias que ele fosse um escritor de sucesso, afinal aparentava ser bem rico, mas depois abandonei a ideia. Cogitei que ele fosse um milionário solitário, mas não tinha como ter certeza. Tudo o que sabia sobre ele é que ele era forte, alto, incrivelmente bonito e muito misterioso.
Cerca de 1 mês desde que o vi pela primeira vez, ele finalmente pareceu me notar, quando fui entregar seu café, ele me disse:
- Você tem cabelos lindos.
E eu apenas agradeci, envergonhada. Eu era a única funcionária com um cabelo cacheado que na época era na altura dos ombros. Não pude deixar de notar o cabelo dele, aparentemente longo e escuro, que ele mantinha preso em um coque toda vez que passava por lá.
Um dia depois que fui notada por ele decidi arriscar e questionei:
- Por que você não solta o seu cabelo também?
Ele esboçou um sorriso e pareceu me ignorar, mas para a minha surpresa lá estava ele no outro dia com o cabelo solto, suas mechas lisas se estendiam até as costas o deixando ainda mais atraente. Naquele dia eu sorri para ele ao entregar seu café e ele me devolveu um sorriso genuíno, me fazendo apaixonar no mesmo segundo. Desse dia em diante eu passei a observá-lo mais, tentando decifrar qualquer coisa nele que me ajudasse a se aproximar.
Um mês se passou e ele sempre passava por lá com os seus cabelos soltos e seu terno elegante, ocasionalmente me mostrando um sorriso que me fazia corar. Quando seu olhar encontrou o meu e ele veio em minha direção, achei que ele reclamaria comigo porque eu o observo, mas ele me surpreendeu perguntando:
- Quer se encontrar aqui comigo na sua próxima folga?
Exatamente assim, frio e direto. Ele olhava nos meus olhos e eu aceitei, sem saber o que esperar. Quando o dia chegou eu não me preocupei em me arrumar muito, queria mostrar a verdadeira eu, como imaginei que ele faria; e eu estava certa.
Ele me contou que sempre anda com sua caneta bonita, que ganhou de sua finada ex-esposa, e seu caderno porque sempre está com a mente cheia, desabafando ocasionalmente no papel. Também disse que me desenhou e eu corei pensando na ideia dele me observando o suficiente para fazer um desenho.
Quando ele me mostrou, era um desenho meu encostada no balcão, olhando fixamente na sua direção. Eu senti meu rosto ferver de vergonha e tentei me desculpar, foi aí que me apaixonei mais uma vez, ele riu e disse:
- Nunca peça desculpas por ser humana, isso é natural.
Era incrível a conexão que sentia com ele, mesmo tendo o visto poucas vezes sempre pareceu que nos conhecíamos há anos. O jeito doce e simples dele me surpreende todos os dias, já que imaginei ele sendo um completo babaca.
Meses se passaram, em uma folga ou outra eu observava o homem misterioso escrever, em uma letra impossível de ler, seus desabafos em papel. Após um ano dessa mesma rotina, ganhei de presente esse diário e foi ali, na mesa da cafeteria, que ele me pediu em namoro, do seu jeito desajeitado, elegante e fofo ao mesmo tempo.
YOU ARE READING
Querido Diário
RomanceUma curta história sobre um diário, uma jovem garota e um homem misterioso. (Anne F.)
