Um dia qualquer de acampamento, seis da manhã, o sono reinava, mas o despertador sequer se importava, cantava feito louco, era dia 18, o mês era outubro, não me lembro de tudo.
Sai das cobertas e peguei a mochila, seriam dois dias em uma cidade vizinha realizando atividades que até seriam divertidas, os pensamentos nublados me impediam de ser otimista, entrei no carro carregando meu uniforme sem tantas expectativas.
Chegamos pouco antes do meio dia, aproveitamos para ajudar na rotina, 3 atividades por patrulha, em pouco tempo tudo estava uma loucura, a cada hora uma missão era cumprida. Aos poucos tudo parecia mais divertido, nem havia percebido quando nossos olhos se cruzaram naquele labirinto.
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O primeiro dia foi exaustivo, tudo estava conforme o previsto, mas por algum motivo muitos não dormiram, devia ser a adrenalina de ter encontrado aquela menina, bobeira porque seria? Respirei fundo e esperei para ver o que o futuro apresentaria
Acordamos com energia, novas tarefas foram distribuídas, mas onde ela estaria? E porque isso me distraia? Ignorei os pensamentos, voltei para os trabalhos em andamento.
Com a chegada da tarde, o cansaço vinha sem piedade, ela estava lá, em uma mesa de dama, jogando com perseverança, do que valeria manter apenas uma lembrança? Arrisquei em jogar, começamos a conversar, aos poucos as peças foram se movendo, mais que isso, nasceu um sentimento, dividimos músicas, ouvi aquela voz reproduzir belas melodias, por mais que ela não gostasse de ser ouvida.
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Após algumas horas a despedida marcou o fim do encontro, uma despedida que seria repetida. Entrei novamente no carro para me lembrar em agonia que só havia perguntado o nome, talvez fosse só falta de sorte,
respirei fundo e deixei passar.
Passou por apenas algumas horas, o arrependimento sequer me deixava pensar em outra coisa, mas com alguma dedicação e com o pedido a alguns amigos consegui recuperar meu juízo, consegui o número que havia esquecido.
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Depois de anos, reencontros naquela mesma data, parecia mágica, nada mais podia explicar aquela dádiva, os sorrisos que meu coração dava só de sentir quando ela se aproximava. Era uma data especial que aquele jogo de damas havia dado largada. Uma amizade nata, podíamos contar um com o outro, nos encontrávamos em qualquer estrada.
Mas mesmo assim, ainda doía, podia ser nosso aniversário, mas podíamos não nos ver mais, ambos seguiam caminhos diferentes, mas aquele abraço deixava meu coração ardente, era difícil pensar em não vê-la frequentemente, quase cheguei a ficar doente, mas me mantive consciente.
Naquela noite nós reunimos em torno de uma lâmpada para comemorar, mas mesmo depois de finalizar todas as atividades algo era mais especial, aquela mulher só conseguia me alegrar, agradeci por cada momento naquele lugar, me senti mal por fazê-la chorar com a despedida, mas ela jamais seria esquecida, minha alma não permitiria, havíamos feito promessas infinitas, mas algo mais nos unia, uma linha não vista, nada nesse mundo a quebraria.
Viveríamos encontros raros depois daquela noite, mas faríamos de cada um deles um fenômeno, algo tão belo e raro quanto um eclipse.
- para minha Akai Ito
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Recortes
RandomHistórias pequenas, sem conexão, conectas pela duração, como pessoas desconhecidas antes de seus primeiros encontros.
