O encontro

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Para: Anika.

Oi irmãzinha, estou com tantas saudades. Desde que você se foi, já pensei muito sobre o conceito "morte" e até agora não consegui achar nenhuma palavra que defina bem a morte. Uma viajem? Um adeus para sempre? Um descanso? Um futuro ou um destino?. A morte sempre tem uma razão, não é? Talvez tenha sido para um bem melhor você ter partido, mas que bem séria esse?. Você me deixou aqui e eu não faço ideia o que fazer ou para onde ir, sem você aqui estou perdida.
   Daniels e Rafe estão mais doidos que nunca. Depois que você morreu eles estão bebendo mais que o normal e começaram a fumar, algo que antes nunca tinham feito, e tenho medo que eles estejam pegando drogas, já que escutei uma noite eles chegando em casa e os vi com um olhar estranho. Ambos também estão super protetores comigo, você até riria se soubesse de tudo que estão aprontando comigo. Bem, talvez você esteja vendo daí de cima.  É bem chato essa proteção deles, mas as vezes eles me tiram uma risada e eu não rio com muita frequência.
Mamãe e papai estão tentando ser fortes, eu vejo isso no olhar deles toda manhã e sei que não deve ser fácil pra eles. Não é fácil enterrar um filha. Não é fácil enterrar alguém que se ama tanto, ponto!
  Eu também estou tentando ser forte, para todos eles. Sorrio para eles todas as manhãs e digo que vamos ficar bem, digo que você está em um lugar melhor e que você quer que sigamos em frente. Desculpe se eu tiver errada, mas me parece algo que você diria.
Amanhã vou voltar para a faculdade e estou nervosa, porque será a primeira vez que vou lá sem você ao meu lado. Não me diga que eu não vou estar sozinha, que eu vou ter meus irmãos, porque você sabe que não é assim as coisas. Mas, preciso voltar em algum momento ...

– Amber, almoço - minha mãe me chama no andar de baixo. Deixo minha carta de lado e escondo de baixo da minha cama.

Vou no espelho e me olho. Nunca tive a beleza exorbitante da minha irmã, mesmo sendo gêmeas - não idênticas - ela sempre teve mais beleza e mais paciência para lidar com vaidade do que eu.

Temos ou tínhamos?! O mesmo tom de loiro baunilha, e só, nossa semelhança acabava aí. Anika tinha olhos azuis lindos, vindo da minha mãe, eu tenho os olhos verde claro, vindos do meu pai. Anika tinha mais curvas que eu, devido a academia que ela fazia toda a manhã, vivia sorrindo e era amiga de todos e amava, dançar.

Eu prefiro ficar em casa, ouvindo música, assistindo filme, lendo livro e conversando com meus pais. Meus irmãos, Anika, Daniels e Rafe sempre foram de festas.

Me olho mais atenda no espelho. Cabelos longos presos em um coque bagunçado, calça moletom e um blusão do Nirvana estampado. Suspiro e forço um sorriso no rosto assim que desço as escadas.

– Amber - escuto a voz da minha mãe e sigo, até a sala de jantar.

Assim que passo pela porta, paro na entrada. Tem muita gente aqui.

Passo os olhos por todos. Vejo minha mãe segurando a travessa de alguma comida, meu pai conversando com um homem de terno na mesa, Daniels e Rafe conversando com um outro rapaz que parece ser da mesma idade que meus irmãos, daí vem também uma mulher vestindo um longo vestido rindo com minha mãe e sentada afastada de toda a conversa, uma moça aparentemente da minha idade ouvindo música.

Olho para eles, todos bem vestidos, depois olho para mim e meu rosto queima de vergonha, mas relevo. Nunca liguei para opinião dos outros e não vai ser agora que vou começar a ligar. Respiro fundo mais uma vez e me forço a entrar na sala de jantar.

Todos me olham.

– Amber! - minha mãe cantarola,  sorrindo para mim. O entusiasmo é falso, percebo a voz trêmula de minha mãe. Parece que só eu percebi, porque todos agem normal – Esses são os nossos novos vizinhos.

– Me chamo Henela - diz a mulher de vestido longo. Ela tem a pele branca, cabelo longo de um preto incrível, é alta e tem um lindo corpo e um sorriso encantador - Esse é meu marido, Emert - o marido dela, o cara de terno, tem o mesmo tom de pele que a esposa, mas os cabelos são loiros escuros, ele me parece ser alto e tem músculos fortes pelo que vejo sobre o terno. E ele tem um sorriso discreto nos lábios.

– Olá - aceno com a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes.

Eles me parecem meus pais. Minha mãe, assim como a Anika, sempre cuidou muito da beleza.

Minha mãe tem cabelos loiros como os meus, sem nenhum fio branco a mostra, ela é baixinha, mas não muito, corpo com um quadril lindo que deveria ter chamado muita atenção na sua juventude. Digo isso porque quando saio com ela, as vezes vejo alguns homens dando sorrisos que deveriam ser encantadores para ela, então imagina o que ela causava quando era mais nova. Meu pai tem músculos firmes ainda, cabelo escuro com alguns fios brancos espalhados, olhos verde claros como os meus e é alto. Também muito lindo, principalmente quando ele deixa amostra a tatuagem media que ele tem nos braços.

Mamãe me disse que ela estava presente quando ele fez essa tatuagem, meu pai tinha 19 anos, e ela me disse também que ele quase chorou ao fazer. Eles são um casal modelo devo dizer.

– Essa aqui é a Valentina - Helena aponta para a garota ouvindo música. Valentina tem o cabelo loiro escuro do pai, olhos claros como os do pai também, me parece ser baixa e sorri alegre para mim.

– É um prazer conhecer vocês - sorrio para eles, mexendo desconfortável mente meus pés.

– Ah, este aqui é o Brandon - Helena aponta para o rapaz perto dos meus irmãos. Levo meus olhos até ele e vejo que ele está me observando de um jeito estranho.

Brandon é nitidamente alto, cabelos pretos que no momento estão bagunçados de forma ousada, mas estiloso, olhos de um azul escuro, músculos fortes, mas não exagerados, tatuagem que tampa todo o braço direito até o pescoço, algumas outras também no braço esquerdo. Ele veste uma blusa branca colada ao corpo e consigo ver uma calça preta.

Engulo em seco quando olho nos olhos dele, no mesmo momento em que ele olha nos meus. Desvio a atenção.

– Bem, sejam bem vindos a nossa vizinhança - Helena sorri para mim.

– Obrigada, querida. Nos mudamos da Inglaterra e preciso dizer que já estou amando essa parte dos Estados Unidos - traduzindo, Califórnia.

– É uma mudança grande devo dizer. Se mudar da Inglaterra para a ensolarada Califórnia - sorrio sendo simpática.

– Nem me fale. Fazia tanto tempo que não recebia sol no rosto como desde que cheguei aqui, no caso ontem - Valentina diz. Sorrio para ela.

– Mas uma vez, bem vindos e espero que se acostumem logo - falo - Mãe, não estou com muita fome. Poderia guardar um pouco de comida para mim? Depois eu como - ela assente receosa - Até mais - aceno para todas e começo a andar, dando mais uma olhado do Brandon, que já estava me olhando.

Balanço a cabeça e subo para o meu quarto.

Pego meu mais novo exemplar de Hamlet- Shakespeare na minha cabeceira e abro na página onde parei.

Desde que minha irmã morreu, a dois meses atrás, me afundei nos livros e na música, fazendo o máximo que eu posso para não pensar na falta que ela me faz. Às vezes não funciona e eu acabo desmoronando.

Apenas deu tempo de ler duas páginas para um aperto no coração surgir. Fecho o livro e tento respirar fundo, mas a saudade que sinto dela é sufocante e a única forma que consigo para me acalmar é tomando meu comprimido. Abro a gaveta ao lado da minha cama e pego o meu calmante. Engulo sem água.

Choro, choro até o comprimido fazer efeito e eu desaparecer desde mundo. Vou para um mundo onde tem música e onde minha irmã está comigo, me fazendo rir e afastando a tristeza de mim.

....

Espero que gostem! Votem e comentem ❤️🌹

Fast Heart Where stories live. Discover now