1 Parte

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   Lembro daquela tarde incomum, o auditório estava parcialmente lotado, a mesa redonda bem organizada, a universidade inteira se fazia presente no lançamento de um livro de poemas, alguns conhecidos meus estavam na plateia, alguns artistas locais iriam se apresentar naquela oportunidade, fui chamado para cantar uma música com o violão, meu amigo não pode vir, acabei ficando sozinho diante dos ouvintes, sentado naquele banco vulgar. 
    Eu esqueci a letra "será" do Legião urbana, mas, me recuperei e iniciei a consagrada Pais e filhos, minha voz inexperiente, porém, aquela canção era minha amiga próxima das noites solitárias, quando o público começou a cantar junto acompanhando em uma só voz, meus pés deixaram o chão, e o meu sonho se realizou, era a primeira vez que o violão Dallas tinha tamanha plateia. 
    No instante em que a música parou, agradeci as palmas calorosas, dos meus colegas universitários, comecei a organizar meus equipamentos, para sair pelo corredor de cadeiras estofadas, encontrei meus amigos D. e A.,e ela estava lá Maeli, está aquém doei meu sobrenome e meu coração, veio cantando uma música qualquer, mas, o que parou meu mundo foi aquela menina doce, com traços de mulher, entoando um carinho convertido em notas melodiosas. 
    Quando as notas cessaram, nasceu uma necessidade: a de conversar, de conhecer, de estar perto, nosso assunto encaixou, o fim de tarde pintou o melhor quadro naquele mês de junho, as horas, que se seguiram foram segundos curtos, os dias eram insuficientes nossas tardes  no beira rio, eram infinitos, um mundo Chamado Pra sempre foi sendo construído com lágrimas, promessas e sorrisos. 
    Logo o mês de julho chegou e com ele a nossa primeira despedida, lembro que me senti perdido, tive medo de que as dificuldades e barreiras do nosso amor nos afastasse, sempre tive medo de te perder, mesmo com as dúvidas que machucavam meu coração eu era teu. Quando as férias terminaram em agosto, fizemos nossa primeira viagem ao centro do P. S., isso me recorda que as águas, a natureza, os pássaros, o pôr - do - sol, o crepúsculo, constantemente, fizeram fundo para o nosso amor. 
    Não vou me ater apenas a momentos mágicos e felizes aqui, não é minha proposta, os rios nos acompanharam durante os anos de ouro, todavia, em uma das nossas crises o rio Moju, assistiu a sua decisão de continuar acreditando que nosso amor poderia evoluir ainda mais, mas, foi necessário aquele momento de reconstrução. Meus queridos leitores não esperem histórias de amor apenas com finais felizes, pois o objetivo é permanecer caminhando. Cada crise nos tornou mais fortes, claro houveram brigas desnecessárias e estúpidas, já que não fomos impressos em páginas de um conto de fadas. 
    Os anos passaram brigamos, sorrimos, tivemos várias conquistas, nosso amor foi provado pelo fogo das dificuldades, aprendemos a cuidar um do outro na doença, manias foram reajustadas, o resultado que alcançamos até o momento é que não existe uma faixa de chegada com as palavras escritas "felicidade". 

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⏰ Last updated: Jan 29, 2022 ⏰

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