Cap 01: Início do ano Letivo

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POV Louise

20 de agosto de 2041

Meus pais já estavam sentados à mesa, conversando tranquilamente.

— Bom dia, papais queridos... — falei, um pouco desanimada, enquanto puxava uma cadeira e me sentava. — Hoje não estou muito bem...

Noah imediatamente me olhou com preocupação.

— O que aconteceu, princesa?

Leonard cruzou os braços e lançou um olhar sério para o marido.

— Amor, acho que ela ainda não te contou...

Suspirei e apoiei os braços sobre a mesa.

— Aquele idiota do Benjamin me destratou ontem... na casa da tia Luna.

Noah arqueou uma sobrancelha, visivelmente indignado.

— Ah, isso eu resolvo. Faço o pai dele pedir desculpas a você.

Soltei um risinho.

— Tá bom, papai.

Depois do café da manhã, o motorista me levou para a escola. Assim que atravessei os portões e entrei no pátio, senti os olhares se voltarem para mim.

Normal, né?

Ser filha do empresário Noah Evans tinha dessas coisas. Eu já estava acostumada.

E, é claro, Benjamin — aquele babaca — não perdeu a oportunidade de provocar.

Ele me mostrou o dedo do meio e gritou:

— Patricinha ridícula!

Respirei fundo, revirei os olhos e simplesmente continuei andando. Não daria a ele a satisfação de perceber que tinha conseguido me irritar.

Logo o sinal tocou, anunciando o início das aulas, e todos seguimos para nossas respectivas salas.

Três horas depois, durante o intervalo, avistei Benjamin conversando com um garoto que eu nunca tinha visto antes. 

E que garoto, viu?

Alto, bonito e dono de um sorriso simplesmente perfeito. Esse garoto tinha cabelos castanhos, cabelos castanhos, olhos azuis e um corpo forte.  

É claro que eu fui até eles.

— E aí, primo... — cheguei já com um sorriso no rosto. — Quem é esse gato?

Benjamin me encarou com uma expressão de puro desgosto.

— Sai pra lá, sua demônia!

Cruzei os braços, provocando-o.

— Não saio. Você não manda em mim, seu babaca.

O garoto riu da situação e estendeu a mão para mim.

— Sou Alexander Baker. Me mudei para cá há alguns meses.

Apertei sua mão e sorri.

— Louise Wright-Evans. Muito prazer.

Alexander arqueou uma sobrancelha, parecendo curioso.

— Você é a herdeira da Company Restaurants Bon Appetit, não é?

— Isso mesmo. — Respondi, ainda sorrindo.

O sinal tocou, avisando que o intervalo havia terminado, e voltamos para a sala.

As três horas seguintes pareceram uma eternidade. Confesso que passei boa parte daquele tempo pensando em Alexander.

Principalmente naquele sorriso.

Quando as aulas finalmente terminaram, minha prima e melhor amiga, Olivia, praticamente me arrastou até o ginásio. Nós iríamos fazer o teste para entrar no time de líderes de torcida do colégio.

Mas, para ser bem sincera, minha cabeça não estava ali.

Eu só conseguia pensar naquele garoto novo.

Naquele sorriso.

Naquele jeito curioso com que ele havia me olhado.

Foi Olivia, porém, quem acabou me tirando completamente dos pensamentos.

Ela baixou os olhos e falou, com a voz carregada de tristeza:

— Louise, sinto tanta saudade do meu pai, Armand... Ele era tão bom conosco. Comigo, com Benjamin e com Daniel. Quando ele morreu de câncer de próstata, aquilo devastou meu pai, Ralph.

Meu sorriso desapareceu.

Eu sabia o quanto aquela perda havia sido dolorosa para a família.

— Ah, amiga... Eu sei que a perda do seu pai foi muito dolorosa. Mas tudo vai se encaminhar, tenha certeza disso.

Olivia ergueu os olhos para mim, emocionada.

— Você acha?

— Acho, sim.

Ela respirou fundo, tentando conter as lágrimas.

— Todos os dias, pessoas morrem das maneiras mais horríveis possíveis...

Fiz uma pequena pausa antes de continuar, escolhendo cuidadosamente minhas palavras.

— Não estou dizendo que a maneira como seu pai morreu não foi dolorosa. Só quero dizer que a morte faz parte da vida. Todos nós, um dia, vamos morrer.

Olivia permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Você tem razão... Todos os dias pessoas morrem. Mas por que Deus tinha que levar o meu pai, Armand?

Baixei os olhos, sem saber exatamente o que responder.

— Realmente, não sei, Oliv...

Ela assentiu lentamente, ainda tentando lidar com a saudade.

Pouco depois, o teste terminou e meu motorista já me esperava na porta do ginásio.

Entrei no carro, coloquei os fones de ouvido e encostei a cabeça no banco, observando a paisagem pela janela enquanto seguíamos para casa.

A conversa com Olivia continuava ecoando na minha cabeça.

A morte de Armand Williams realmente havia deixado uma ferida profunda naquela família. E, por mais que o tempo passasse, algumas perdas simplesmente nunca deixavam de doer.

Continua................

Cap revisado.

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