Prólogo - Ballerina

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Encanto pode sentir a paz novamente após os eventos ocorridos com a magia, agora a vila estava mais ativa do que nunca! Os moradores faziam questão de organizarem eventos fora da casa dos Madrigal, assim podiam os convidar e se reunir com mais frequência em ocasiões especiais.

Após alguns meses, pessoas e famílias novas conseguiram achar aquela espécie de refúgio que as altas montanhas formavam, portanto a comunidade se expandiu, trazendo consigo suas tradições familiares e novos rostos que foram muito bem recepcionados em seu novo lar.

Aquela noite em particular estava fresca, a lua cheia iluminava todos os cantos da pequena cidade, porém havia um espaço específico que seu esplendor se fazia ainda mais presente; a praça.

Os cordões de luz enrolados nos postes faziam uma forma circular, mostrando o ponto central, onde uma multidão de pessoas estavam reunidas. Os murmúrios se misturavam com uma certa melodia composta por um violão bem afinado, castanholas e bongôs.

No meio dessas pessoas estava um figura peculiar tentando se enfiar entre as pessoas a todo o custo. Aquele era um evento novo, as pessoas da vila raramente se reuniram em massas a não ser em eventos da família Madrigal e em ocasiões especiais, por tanto, Camilo estava apenas deixando sua curiosidade o dominar e não havia nenhum pecado nisto.

Ele mesmo havia ajudado na decoração e tendas junto de Luísa, então ele tinha o direito de aproveitar tanto quanto os outros.

O garoto assoprou, jogando uma mecha de seu cabelo cacheado para o lado. Ele pousou a mão na cintura e sorriu de lado. Se ele não podia se infiltrar naquele meio por bem, então ele entraria por mal.

Num piscar de olhos, ele conseguia ver todos bem mais altos, típico da visão de uma criança de 5 anos. Ele foi se enfiando nos meio das pessoas como podia, se transformando conforme a necessidade do espaço.

— Camilo! Que estás haciendo? A mulher de estatura média reclamou quando o garoto passou fazendo sua saia praticamente voar.

— Perdão, senhora Pérez! — Se desculpou voltando a sua aparência original. — Amanhã vou brincar com o Juan e as outras crianças, então poderia abrir espaço para esse jovem atrasado?

— Calma, muchacho. A senhorita não vai fugir! — Ricardo riu, puxando o braço do garoto para que ele finalmente pudesse ficar na frente. — Da próxima vez que quiser acento vip, chegue primeiro, chico.

— Ok, na próxima vou ver quem chega primeiro, fica bem mais fácil. —  Respondeu, tomando a aparência do homem ao seu lado que lhe respondeu com uma cotovelada. — Hm? Não ficou convincente? — Imitou o gesto.

— Até usando o dom você conseguiu uma visão ruim, hermano.

Dolores apareceu ao lado do irmão como se tivesse se teleportado para lá, o que já não o surpreendia mais.

— Valeu a tentativa. — Deu de ombros, sorrindo de canto. — Achei que tinha me atrasado completamente, valeu por me lembrar.

— Não parava de ouvir os seus passos para lá e para cá. Você se deixa ser abusado fácil, já sabia que tinha esquecido que também podia assistir. — A mulher deu um pequeno passo para o lado para abrir espaço para o irmão mais novo.

Os músicos terminaram de afinar os instrumentos, fazendo uma pausa e parecendo esperar por algo.

— Oh, ela estava vindo. — Dolores murmurou em seu tom de voz baixo, encarando um ponto específico na praça.

Logo, com passos calmos, uma figura trajada em roupas coloridas e maquiagem marcante, fez o seu caminho para o meio da praça. Ela estava com um belo sorriso nos lábios pintados em vermelho profundo, com os cantos da boca desenhados em linhas pretas, simulando dentes de um esqueleto. Sim, aquela seria a dita estrela do noite na qual estava chamando a atenção do povoado desde que havia chegado com sua família cerca de três meses atrás.

ballerina | camilo madrigalWhere stories live. Discover now