Eu nasci em Janeiro de 2004, filha de um casal pobre recém casados, minha mãe com 2 filhas de outro casamento, meu pai sem nenhum filho ou filha até o dia do meu nascimento.
Por algum motivo não consigo me lembrar da minha infância, apenas de um abuso aos 4 anos, gostaria de lembrar de coisas boas não apenas tristezas.
Pelo que me contam fui uma criança terrível, fazia mais arte que uma criança "normal" - muito hiperativa ela não é. Aos 6 anos de idade conheci meus primos por parte de pai, de cara não gostei de saber disso pois teria que dividir meu avô, coisa que eu não estava acostumada, tudo bem que minhas irmãs também tinha atenção do meu vô mas não era a mesma coisa - "ela é apenas uma criança normal não querer dividir." O tempo passou e pelo que me lembre não tive muito contato com esses primos, nessa época meu avô estava doente, eu fazia videos e tirava fotos tudo para que ele pudesse ouvir no hospital, eu não entendia o por que de tudo aquilo, com 6 anos de idade eu ainda não sabia que as pessoas morriam.
Meses antes do meu aniversário de 7 anos meu avô saiu do hospital, seria cuidado em casa, nesse período ele me ensinou a jogar dama e me levava a escola todos os dias, sempre na ida parávamos no caminho para comprar um doce, desde que meus pais não soubessem, pois meus doces eram regrados, vovô nunca ligou para isso de não dar doces a criança.
No dia de meu aniversário vovô me levou até o centro da cidade para comprar um presente, escolhi um tênis branco com roxo. Voltando para casa estava tudo um silencio, assim que meu avo abriu o portão fique sem graça, todos meus parentes em casa, era uma festa surpresa! Nunca soube como me comportar com tanta gente cantando parabéns e me olhando, comemoramos meu aniversario mas não me lembro mais que isso, no dia seguinte, meu avo saiu cedo de casa, voltou na hora do almoço com dois bolos de mercado, e novamente cantamos parabéns - "já deu para perceber que era eu a neta preferida"
Meu avô era meu melhor amigo, ele jogava comigo todos os dias, me levava e me buscava na porta da escola, infelizmente isso durou muito pouco, ele voltará para o hospital, e de lá não retornou para casa, eu ia ao hospital, gravava áudios para ele, mas infelizmente não pude entrar na sala que ele estava, já cansada de tanto gravar videos e áudios, comecei a me recusar a fazer tal coisa - "o tal do egoismo" meu pai e meu avô não se davam muito bem então quando eles brigavam eu não tinha como ir ao hospital (mesmo que fosse apenas para vê-lo na cadeira de rodas do elevador) nem sempre havia uma enfermeira legal que levará ele até o elevador, lembro de um dia ter corrido até ele para dar um beijo e um abraço, mal sabia eu que seria a ultima vez que ganharia um abraço seu, se eu soubesse não teria largado quando me mandaram.
Dias depois dessa visita meu pai recebeu uma ligação: - " Seu pai faleceu..."
Morte... O que era? E como explicar para uma criança de 7 anos, recebi a noticia sem nenhum preparo emocional e aquilo foi como uma facada, ou melhor foi como se alguém tivesse pego meu brinquedo favorito e o dado para outra criança, "- Seu avo morreu, não iremos mais ver ele" o que isso queria dizer? Ele viajou por que encontrou outra criança? O que é morreu? Meu avô foi embora por causa de mim? Tantas perguntas todas sem respostas, mais tarde naquele mesmo dia minha mãe sentou comigo juntamente do meu pai, e conversou comigo "- Mas para onde ele vai eu não posso ir? Não quero ficar sem o vovô"
No dia do velório quando começaram a descer o caixão eu senti uma enorme vontade de me jogar e ir com ele, eu gritei e chorei, pois havia entendido que não voltaria a ver ele, e isso me doía.
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Desde 2004...
Random° Cenas +18 ° Gatilhos mentais ° Plágio é crime ° Autoria própria
