Eles me roubaram tudo. Meus amigos, minha família, minhas ideias, meus planos. E o que o Governo quer em troca? - Apenas um pouco de sangue.
Fui enganada por um deles com uma frase inocente como essa.
Prazer em conhecê-los. Eu sou o Projeto 96-2B.
...
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— Alissa, acorde!
Ouvi uma voz familiar me chamar. Fiz questão de absorver seu tom, como se minha vida dependesse disso. Algo pulsava dentro de mim — um chamado vindo de um lugar tão escuro que eu mal conseguia me encontrar. Era como a morte... ou algo pior.
— Alissa!
Abri os olhos de repente, despertada pelo grito. Meus olhos pareciam fechados há décadas. Minha garganta coçava, e um desconforto profundo no esôfago me fazia sufocar. Era como se minha respiração estivesse obstruída por um líquido ardente. Tossindo, tentei expulsar o que me afogava.
Estava tonta, confusa. Não sabia o que havia me despertado. E, curiosamente, não sentia medo algum.
Foquei minha visão no vulto à minha frente. Um rapaz moreno, de olhos escuros, me observava com preocupação. Vasculhei minhas memórias em busca de alguém com aquelas feições... mas não encontrei ninguém.
— Você está bem?
Eu queria responder, mas estava longe, sonolenta, com um desconforto nas narinas e na garganta. Permaneci em silêncio enquanto ele me pegava no colo com cuidado.
— Ela está bem?
Outra voz familiar ecoou no fim do corredor. Nada fazia sentido. Tudo parecia um emaranhado de fios, onde pequenos espaços se abriam e se fechavam. Concentrei-me na respiração enquanto era carregada, ainda em silêncio.
— Ela está bem!
O rapaz passou por uma mulher — dona da voz anterior — e seguimos até uma porta com uma luz vermelha piscando e a palavra "SAÍDA" no topo. Um alarme zumbia em meus ouvidos, e meu coração disparou quando ele começou a correr.
Dois homens se juntaram a nós. Não entendi o que significava, mas pela urgência, sabia que não era algo bom.
— Eles estão no corredor Norte — disse uma voz feminina.
— Vamos para a saída Sul — respondeu o rapaz, assumindo a liderança.
— Espero que não esteja monitorada — comentou a mulher, enquanto preparava uma arma. Pelo som, reconheci: uma G-18, calibre 7.5.
— Falta Aria! — gritou um homem mais atrás, sua voz me causou um embrulho no estômago.
— Ela vai ganhar tempo! — respondeu o rapaz moreno.
— Mais...
— Mais nada, Grace. Agora vai!
O nome "Grace" desencadeou algo em minha mente. Comecei a repeti-lo em sussurros, como um eco que dançava em minha mente atordoada.
— Isso, isso — disse ela, sorrindo ao se aproximar. — Se lembra?
Balancei a cabeça, negando com suavidade e sem forças.