A risada fraca soava alta no silêncio da madrugada. Os dedos firmes que tocavam a pele clara enviavam calafrios por todo o corpo. Os lábios tocavam-se e se misturavam em um ritmo lento e delicado.
Oikawa sentia a respiração pesada do homem pressionado entre si e o chão. Sentia o rosto quente contra seus lábios enquanto beijava cada centímetro dele. A risada soou novamente, fazendo seu interior se remexer com uma leveza simples e o forçou a acompanhar seu ritmo, se juntando, de maneira harmoniosa ao som.
As mãos agora seguravam seu rosto entre si, Oikawa olhava fundo nos olhos daquele à sua frente e sentia um formigamento perante a expectativa de tocar novamente aqueles lábios com os seus.
Foi como um flash, rápido o suficiente para ser ignorado, mas o olhar que eles trocaram reviveu uma lembrança desagradável o suficiente para que Oikawa não pudesse controlar a expressão de desconforto.
Os olhos azuis se tornaram pesados em um piscar de olhos. Ele reconhecia aquela expressão no rosto do outro. A risada morreu entre eles e Oikawa se levantou e limpou a garganta.
"Acho que eu deveria ir pra casa."
"Sim."
A voz de Kageyama soou fria em comparação com o momento descontraído que dividiam apenas alguns segundos antes. Ele virou o rosto em direção a janela enquanto Oikawa pegava a própria mochila e se dirigia à porta. Parecia que ele já estava de saída, mesmo que ambos soubessem que Oikawa havia planejado dormir ali naquela noite.
Mesmo contra a vontade, Kageyama seguiu com os olhos seus passos em direção à porta, esperando que Oikawa ao menos olhasse para trás antes de deixar que ela se fechasse, mas ele é claro que ele não olharia.
Quando o vento da noite fria atingiu seu rosto, Oikawa sentiu seus músculos se retraindo e ele suspirou irritado, apertando com força a chave do carro entre seus dedos. O metal gelado e úmido do orvalho da madrugada contrastava com o calor de seu rosto quando Oikawa apoiou a testa na janela do carro, questionando as próprias decisões.
O relógio do carro mostrava 2h17. Ele jogou a mochila e o celular no banco do passageiro e ligou o motor, acelerou sentindo a vibração invadir seu corpo e respirou o ar gelado que entrava pela janela aberta.
Havia algo nessas noites frias e claras que sempre fazia seu corpo estremecer. Eram muito carregadas de memórias, eram muitas sensações contrastantes juntas. Ele tinha vontade de fechar os olhos e aproveitar o vento da janela, como já havia feito muitas vezes antes, mas no banco do passageiro.
Talvez ele devesse ligar para Iwaizumi, mas eram duas da manhã e Oikawa sabia que seu melhor amigo trabalhava cedo no dia seguinte. A luz vermelha do farol iluminou o painel do carro e o banco, enquanto Oikawa estendia os dedos para o celular ali jogado.
Oikawa desbloqueou o aparelho de maneira automática, fazendo o caminho já comum entre as playlists baixadas e iniciando o aleatório de uma. A batida conhecida começou novamente. Parecia que toda vez que Oikawa fugia da casa de Kageyama às duas da manhã, aquela mesma música tocava. Talvez ele devesse parar de ouvir aquela playlist.
Talvez Oikawa devesse ter apagado ela há um ano atrás. Assim como a playlist que complementava ela já não existia mais.
Oikawa conseguia reconhecer as casas que passavam por seu carro, que corria em uma velocidade acima da permitida, ele sentia seu aperto no volante se intensificar e os nós dos dedos se destacavam, brancos por conta da força empregada, os olhos ardiam com a música errada que acabara de começar.
Ele acelerou ainda mais, o suficiente para que as casas se tornassem borrões irreconhecíveis e para que ele não tivesse como parar na frente do prédio verde e azul que se aproximava. Antes que ele tomasse alguma decisão estúpida.
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Bad Together
FanfictionEles são ruins juntos, são ruins um para o outro, são ruins para os outros e são ruins sozinhos. Mas quem disse que uma relação cármica era algo simples? (ou como alguns chamariam: almas gêmeas)
