A expressão pálida, os lábios curvados e o quão trêmulas estavam as mãos do garoto, que carregava um pequeno colar entre o punho apertado, visavam o seu desespero. O coração gemia para ser liberto enquanto um frio na barriga alastrava-se mais e mais, conforme sua imaginação sobre o que poderia acontecer o afastava do mundo real.
Após minutos de indecisão e ansiedade, duas batidas leves na porta foram o suficiente para ouvir-se passos serenos, porém desesperados, aproximando-se da entrada. Até que a porta fora aberta pelo acastanhado de olhos negros.
– Você veio… – murmurou, como se não estivesse lúcido o bastante ao receber a tão esperada visita. Expirou o ar que mantinha em seus pulmões, buscando pela atitude mais adequada para cumprimentar o "amigo". – Por favor, entre e sinta-se à vontade – permitiu espaço para o outro adentrar, simulando um sorrisinho involuntário.
Já dentro da residência, os olhos castanhos do loiro brilharam ao ver a belíssima decoração feita na sala do apartamento. Piscas-piscas foram instalados, basicamente, por cada canto do cômodo, dando um charme intenso ao ambiente. Cobertores e travesseiros foram postos no sofá maior, no sofá menor e no chão, bem no centro onde uma pequena mesinha ocupava o espaço. E, por último, mas não menos importante, a música "Bohemian Rhapsody", do Queen, transmitida na MTV.
– Quanta coincidência – Comentou Jimin, enquanto seus olhos permaneciam fixos na tela grande e reluzente.
– O quê? – Perguntou JungKook, concentrado no loiro que possuía uma expressão suave e ao mesmo tempo alegre no rosto.
– No dia que nos conhecemos, quando eu fui à loja que você trabalha para comprar um disco, você me mostrou essa música e me obrigou a comprar o álbum completo – riu sozinho enquanto contava, relembrando do jeito convincente do moreno. – E, bom, agora somos amigos – mencionou o óbvio, dando atenção à silhueta alta.
– Você quase me estrangulou naquele dia! – relembrou, incrédulo, colocando suas mãos no peito, simulando uma "parada cardíaca". – Em minha defesa, eu só estava fazendo o meu trabalho, que por sinal, é esplêndido – explicou, convencido.
– Você ficou me perseguindo, garoto! Eu só queria comprar um disco, nada mais – Rebateu, empurrando levemente o ombro do moreno.
– Um disco que continha músicas da época da minha avó! Céus, Park Jimin, você deveria me agradecer! – Devolveu na mesma moeda, enquanto um sorriso de canto apossava-se de seu rosto.
– Obrigado.
– O quê? – Perguntou, franzindo o cenho.
– Obrigado, JungKook – repetiu em alto e bom som. – Por me mostrar o que é música de qualidade e... – cortou a própria fala, suspirando pesado. – Deixa pra lá.
O moreno aproximou-se para perto do loiro, deslizando os seus tendões sobre a face do mais baixo, afagando o seu queixo ao passo que lançou um olhar curioso, feito uma criança de dez anos empolgada para saber qual era o segredo "proibido" dos mais velhos.
– Diz aí, vai. Não seja tão malvado com o seu coelhinho favorito – Sussurrou no ouvido de Jimin, rindo fraco ao notar os pelinhos do pescoço do mais velho ficarem pontudos (arrepiados).
– Ele é mais vulnerável do que eu esperava – Pensou JungKook, sorrindo bobo, quase imperceptível, com o próprio pensamento.
– Conhecer alguém como você é uma raridade, então digamos que eu dei sorte – sem avisos, desabafou, fixando o olhar num ponto qualquer, desde que este não fosse o par de olhos negros que o encaravam, atentos e intimidadores. – É como se eu... – hesitou, mas logo prosseguiu: – estivesse fora e dentro de mim ao mesmo tempo.
Houve um silêncio momentâneo, confortável para ambos, mas especialmente para o moreno, que esforçava-se para digerir as palavras ditas por aquele loirinho de aparência tímida, mas que possuía uma personalidade aguçada o bastante, ao ponto de deixar qualquer um despido para si, em todos os sentidos possíveis.
Ele se flagrou questionando sobre quando e como ficou tão próximo de Park, apesar de saber como começou a história. O que JungKook queria saber era o que ele encontrou de tão especial no loiro, e o que Jimin encontrou, principalmente, de tão especial no mesmo. São respostas que ele garante não ter, mas sabe que, algum dia, terá todas. Enquanto isso, sua estimada recompensa é tê-lo consigo, diminuindo um pouco o peso da vida que Jeon sempre carregou nas costas – a fama torta de "pegador", a relação familiar perturbada, o cansaço do trabalho e, enfim, uma lista tristemente longa.
Tudo doía, literalmente. Porém, ao lado do baixinho, JungKook sentia-se o centro do universo, o universo de Park Jimin. Ele era visto, amado e importante para o melhor amigo, que o fez despertar sentimentos lindos, os quais deixaram Jeon louco, sem saber o que fazer ou pensar no início.
E, agora, o moreno sentia-se pronto para dizer o que havia guardado dentro do seu coração a Jimin, colocando em risco o seu ego. Todavia, ele já o convidou para vir até à sua residência, os enfeites já estavam preparados, então nada o impediria de fazer o que pretendia.
– Você me daria a honra de uma dança, príncipe? – Perguntou majestoso, envolvendo a cintura do baixinho em seus braços com cautela.
– Eu não vou fazer isso, de jeito nenhum! - disparou Park, soltando uma risadinha baixa entre os corpos próximos. – O que deu em você, Jeon JungKook? Exagerou na bebida de novo? – brincou, olhando desconfiado para o moreno.
– E quem disse que eu quero dançar desse jeito? Céus, garoto, eu tenho limites! – resmungou de um jeito fofo, mergulhando o nariz na curva do pescoço do loiro, inalando o cheiro do mesmo descaradamente. – Eu só quero ficar assim, com você – assumiu, fechando os olhos enquanto tomava posse do pequeno e macio corpo.
Jimin não fez menção de dizer mais nada, muito menos caçoar do momento, porque não queria magoar o moreno que apenas queria... sua atenção? Na verdade, ele não sabia ao certo o porquê de JungKook estar tão manhoso desse modo, mas ele estava sendo sério demais, sincero demais e... lindo demais – não que ele não fosse, mas esse lado de Jeon era uma novidade.
O seu peito queimava, sua ânsia para beijar o mais alto havia despertado fervorosamente, e ele não segurou.
Sem pensar duas vezes, Park viu-se tocando os lábios do outro com os seus, mas parou ao sentir um calafrio percorrer na sua alma.
– Por que parou? – Perguntou JungKook, demonstrando tristeza no tom de voz.
– Você gostou?! – Perguntou, arregalando os olhos.
– Gostei. E você está vermelho! – apontou na direção do rosto do loiro, abrindo um sorrisinho de canto, observando o outro sem reação e com o olhar perdido. – É errado pedir por mais um? – perguntou sincero, atraindo a atenção de Park.
ESTÁS LEYENDO
Two-shot Jikook - November Rain
FanfictionEm dois capítulos, você descubrira o que a "Chuva de Novembro" será para Park Ji-min e Jeon Jung-kook.
