§Narração Elisa§
Eu estava em um hospital. Por que diabos eu estava em um hospital?! Olhei para todos os lados e percebi que um monte daquelas máquinas estavam ligadas a mim, inclusive o soro com a agulha no meu braço. Eu me sentei e minha cabeça rodou. Deus, que dor!
- Elisa?
Olhei para frente e vi minha tia Helena acompanhado por um médico, aparentemente.
- Tia? - falei, um pouco aliviada por vê-la.
Ela correu na minha direção e me abraçou forte. Senti ela soluçar e suas lágrimas molharem meu rosto. O que estava acontecendo?
- Eu não... não consigo acreditar que você acordou, estrelinha. - Minha tia se afastou e sorriu. - Eu sabia que acordaria!
- Espera... acordar? - Pisquei várias vezes, tentando encontrar algum norte, qualquer norte
Nesse momento, o homem que estava na porta se aproximou de nós e pediu que tia Helena me desse um pouco de espaço. Ele era alto e estava começando a ficar calvo.
- Elisa Mendonça, certo? - Eu assenti, esperando que ele me explicasse alguma coisa. - Você esteve em coma durante seis meses e, devo dizer, que estou surpreso por ter acordado.
Seis meses?!Olhei para minha tia que parecia um misto de nervosismo e felicidade. Quando enfim ela notou que eu estava esperando que falasse algo, ela respirou fundo e começou a falar:
- Querida, você lembra de alguma coisa? - Neguei com a cabeça e minha tia segurou minha mão.
O sorriso dela se desfez e algo dentro de mim se quebrou.
- Estrelinha, você e seus pais começaram uma viagem de carro há mais de seis meses atrás. Uma noite, começou a chover no meio da estrada e as condições não era das melhores. - Engoli em seco, isso aconteceu? - Então, um animal apareceu e seu pai tentou desviar dele, perdendo o controle do carro e capotando o carro. Eu sinto muito mesmo, mas eles morreram na hora, enquanto você precisou passar por várias cirurgias e ficou em estado de coma.
Minha tia já estava chorando àquela altura. Não era possível, ou era? Meus pais tinham morrido? Comecei a respirar mais forte, parecia que alguém estava apertando a minha garganta, me sufocando. Senti meu rosto ser molhado pelas lágrimas que eu comecei a derramar.
- Não...
Fechei os olhos com força. Aquilo tinha que ser um sonho. Não, um terrível pesadelo, isso sim.
- Agora sou eu quem sou sua responsável e, assim que você tiver alta, vai morar comigo, tá?
Eu assenti, ou pelo menos tentei. Tudo que eu queria era poder voltar seis meses atrás e impedir meus pais de planejarem essa viajem.
(quebra de tempo)
Eu e minha tia estávamos emburacando pelas ruas estreitas da cidade em que ela morava, Oak Hills. Ela era pequena, ao que parece, e ficava numa colina - tire pelo nome -, não era no topo ou no pé dela, era só numa colina. Sinceramente, não me importo tanto. Sei que tia Helena fica preocupada comigo, mas eu ainda não conseguia sair de toda essa carapaça. Quando eu saí do hospital, fiz uma visita ao túmulo dos meus pais e acho que chorei rios de lágrimas, mas depois disso, me senti vazia, oca.
E aqui estamos, na pequena Oak Hills, minha nova cidade, pelo menos se meus planos não mudarem. Na verdade, não tenho nenhum plano por enquanto.
Minha tia estacionou o carro em frente aos que os americanos chamariam de um "two-story-house", ela era estreita, colada nas outras casas, além de ser de uma madeira branca, uma janela no térreo que dava pra ver a sala de estar e mais outra no andar de cima que devia ser um quarto.
- Sinta-se à vontade, estrelinha - Minha tia disse, assim que entramos dentro de casa.
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Paralelo
RomanceElisa sempre achou que tinha sonhos normais e nunca ligou pra isso, mas depois de um coma de 6 meses e a perda dos seus pais, ela precisa morar com a tia e, na primeira noite, Elisa tem um sonho bastante real e estranho. E tudo fica mais estranho ai...
