a luz que ilumina o paraíso

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– Ok, tá, mas... Alguém me explica uma coisinha que tá me encucando desde que eu vi a namorada nova do Xiaojun. É que... Assim...
– Ela é a cara do Hendery, né?
– IGUALZINHA.
– Nossa, achei que só que tinha achado isso.
– Eu também achei.
– Mas onde será o Xiaojun achou a cópia do Hendery?
As vozes se fundiam na sala juntos com os risos.
– Ela é minha prima – Hendery respondeu simplesmente, chegando de surpresa e sentando no sofá  seguida, sem dar muita atenção aos outros.
Ou ao menos fingindo não dar atenção enquanto olhava aqueles fios que conectava pra um trabalho da faculdade. Era uma justificativa perfeita pra esboçar reações e fingir que eram por conta do que estava fazendo ali. Pena que Ten sabia que Hendery era bom demais naquilo para estar com tanta dificuldade quanto demonstrava ali, sentado a pouca distância dos outros que continuavam comentando sobre o novo relacionamento de Xiaojun.


A nova namorada de Xiaojun era linda. Tinha longos cabelos tingidos de loiro entornando seu belo rosto cuja pele pálida contrastava com o escuro de seus olhos marcantes que tinham um olhar que alguns definiriam como pesado, mas não de um jeito ruim. Era simplesmente um olhar intenso que demonstrava tudo que ela parecia sentir, até mesmo seu desconforto. E era seu desconforto que os outros viam quando Xiao disse algo que ninguém mais ouviu, apenas ela, antes de Xiao abaixar o rosto de vez para o telefone.
– Muda o visual, amiga. Pra ver se consegue chamar mais a atenção dele. Você queria mudar, não é?
– Mas se ela chamou a atenção dele justamente com esse visual.
– Se ele gosta dela, isso vai continuar independente do visual.
– Sim, sim. Mas uma mudança pode apimentar a relação.
– Só tem uma mudança que eu poderia fazer pra apimentar a relação – a garota finalmente falou, mexendo nas pontas do próprio cabelo e se questionando se não deveria aparar aquelas pontas já tão secas há algum tempo, estava distraída e nem notava que falava em voz alta – E não é por fora.
– Do que você tá falando?
– Eu tô... EU TÔ FALANDO? MEU DEUS! Não era pra eu falar em voz alta!
– Aah, o que foi?
– Conta, agora você tem que contar.
– Não, eu não posso. Até porque é só uma desconfiança.
– Ok, mas... Falaí. O que que ele olha tanto naquele telefone? É jogo?
– É o motivo da minha desconfiança.
– Hum?
– N-NADA – deu uma risada nervosa ao notar que novamente havia falado demais.
A verdade é que Xiaojun não parava um instante sequer de falar com seu primo, que era constantemente comparado com ela pelas suas semelhanças físicas principalmente. E há algum tempo ela desconfiava que essas semelhanças podiam ser a única coisa que Xiaojun apreciava nela. A animação que ele tinha conversando com Hendery era imensa, enquanto ela parecia servir apenas para estar ao seu lado, trocar beijos e carícias, geralmente enquanto ele trocava mensagens e jogava com Hendery ou apenas falava sobre ele.
Minutos antes o que aumentou sua desconfiança foi um convite pra uma noite romântica acompanhado de um elogio a uma foto de Hendery usando terno. Xiaojun até chegou a perguntar se ela sabia o nome das flores que estavam perto dele, pois queria providenciar pra mais tarde porque "eram as flores mais lindas que ele já havia visto".
Mas a garota duvidava que esse fosse o único motivo. Não seria a primeira vez que ele buscava dar "um toque de Hendery", como ela chamava, em seus encontros. Pra deixar os encontros mais perfeitos pra Xiaojun, só se Hendery fosse neles. E se fosse a substituindo, ela tinha quase certeza de que ele nem se incomodaria. Talvez até achasse melhor assim.
Ela se perguntava às vezes o motivo pelo qual aceitava estava num relacionamento assim. Mas ela sempre chegava à mesma conclusão: ela gostava de Xiaojun. Gostava mesmo e sabia que ele não fazia nada daquilo de propósito. Embora ela duvidasse da veracidade de seu amor por ela, em instante algum ela duvidou que ele acreditava que a amava. Eles não eram de saber mentir. Mas essa mentira era tão boa que iludia o coração dos dois.
Sem perceber, ela começou a chorar. Ali mesmo, no meio da escola. E quando notou os olhares que atraiu tentou parar, mas o que aconteceu foi justamente o contrário. Ela chorava de soluçar, como se tentasse colocar o coração pra fora do tanto que ele doía. Por que um sentimento tão bom como devia ser o amor doía tanto?

Ela não é eleStories to obsess over. Discover now