Este dia que amanheceu chuvoso fez-me querer cobrir o rosto na tentativa de abafar os gritos de minha mãe. "Acorde Younghoon, agora!", era isso que ficava berrando. Sento-me na cama ainda com os olhos entreabertos, a cada momento em que mais uma gota d'água caía lá fora fazia-me ficar mais e mais preguiçoso perdendo a vontade de ir à escola. Isso é realmente necessário? Bem, talvez seja, já que haverá provas.
Levanto-me e vou a procura de minha farda que estara jogada no chão, pego-a e coloco rapidamente. Na cozinha, minha mãe se encontrava pronta para ir ao trabalho, ela me lança um sorrisinho e eu retribuo. Pegamos nossas bolsas e saímos juntamente, seguindo por caminhos opostos.
-Tenha um bom dia! - Eu gritei, ela acena e corre para poder pegar o metro.
Estava na metade do caminho quando notei que estava sem meu guarda-chuva e quase enxarcado, suspiro exausto. Coloco a bolsa sobre a cabeça e corro sobre as poças de água formadas pela chuva, que se tornavam maiores a cada segundo. Na entrada da escola, tiro meus sapatos molhados e guardo-os no armário pegando o outro par. Quando estava calçando-os, noto um garoto de cabelos descoloridos levando sermão de um professor, ele revira os olhos. Percebe que estou o olhando e sorri mordendo os lábios para mim, assusto-me ficando com as bochechas coradas. O professor que lhe dava o sermão se vira para mim com as sobrancelhas franzidas, Senhor Noh Jihoon.
-O que está olhando, moleque? Vá pra sua sala imediatamente! - Assinto curvando-me e corro para minha classe.
Este, é um dos professores mais jovens da escola, com apenas 24 anos. Ele parecia-me doce e gentil, por quê parecia tão furioso brigando com aquele garoto?
Espantei os pensamentos confusos e sentei em meu lugar aguardando a chegada do professor.
[...]
No terceiro período, mal podia manter os olhos abertos. As horas que passei em claro na noite anterior estão trazendo consequências agora. Mas o que poderia eu fazer? Minhas poesias não podiam escrever-se sozinhas, eu devia dá-las a vida, meu romance nunca verdadeiramente vivenciado.
Meus olhos estaram a se fechar bem quando o sino para o intervalo tocou. Peguei minha maçã, caderno e caneta e segui para o terraço, onde encontrava-se encharcado, pelo menos a chuva havia parado. Subi meu olhar para a vista a minha frente e para minha surpresa, o garoto que havia visto mais cedo estava ali, sentado no parapeito balançando seus pés diante do vento, como se houvesse certa sincronia. Ele não iria pular. Ou iria?
Aproximo-me apoiando as mãos no cimento ao lado de seu corpo, com minhas coisas ao lado.
-Sabe, é perigoso ficar tão perto assim da morte. - Ele vira seu rosto para mim. Finalmente me dando a visão perfeita de sua beleza porcelana.
-E por que?
-Às vezes, a vida pode nos trazer coisas boas, mesmo que a morte pareça tão bonita e sedutora. - Ele solta um riso baixo.
-Sua visão sobre a morte é um pouco excêntrica. - Olha para o céu cinza azulado. - Vi-te hoje mais cedo, correto?
-Corretíssimo, e com certeza você estava acompanhado de seu professor? - O de cabelos louros assente com a cabeça. - Posso questionar-te por que ele estava a lhe dar um sermão?
-Aquele idiota desprezível acredita que pertenço a ele. Namorados são uma droga. - Dá de ombros olhando para a vista da cidade.
Apenas um pensamento me veio à cabeça quando ele me disso isso, não, não foi porque ele namora seu professor, ou o quanto isso é errado, ou até mesmo "Uau! Ele gosta de garotos". Mas sim, a forma como seus lábios cor framboesa diziam tais palavras, e sua pele branca como porcelana brilhava ao Sol escondido pelas nuvens, principalmente em seu zigoma.
-Qual é teu nome?
-Por que queres saber?
-Quem sabe conhecer alguém. - Digo pegando minha maçã a mordendo.
-Choi Chanhee. - Empina o nariz formando um pequeno bico nos lábios. - E o você?
-Kim Younghoon. Classe 3-A. - Choi se espanta.
-Oh, então devo chamar-te de Younghoon Hyung? - Lança-me um sorriso maroto. Minhas bochechas esquentam e viro o rosto para uma direção oposta. - Você não aparenta ser um cara tímido. Interessante. - Volta a pisar no chão, pega minha maçã mordendo-a. - Até logo, Hyung. - Sai do terraço descendo as escadas de volta para sua classe.
Sinto uma tontura tomar conta de meu corpo. Este último verão talvez seja melhor do que os anteriores.
Tiro do bolso minha caixinha de cigarros junto ao meu isqueiro preto e acendo um maço, levando-o a boca e assoprando sua densa fumaça em seguida. Sinto logo minha língua formigar e um leve gosto amargo invadir minha boca. Gosto desse sabor indecifrável de dor e agonia, faz-me sentir leve e nas nuvens. Assim que o termino, arremesso a bituca, que caí em algum lugar perto as árvores da floresta ao lado da escola.
O Sol abriu-se finalmente quando minha melancolia estara chegando, era hora de voltar para sala assim como Chanhee, para expor todos meus sentimentos ao papel em branco. De volta ao meu lugar, descrevo os sentimentos de Kim Younghoon, aqueles os quais não foram correspondidos corretamente, certamente.
"Por que eu ainda espero, por que eu ainda tenho esperanças de que você volte para mim. "
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Estações 1996 - bbangnyu
FanfictionEm seu último verão, Younghoon conhece Choi Chanhee, o garoto que tornou sua cabeça um verdadeiro doce caos. Este, aprende com Younghoon que a vida pode ser mais valiosa do que pensa. Último ano, última poesia.
